Desde que o ataque conjunto dos Estados Unidos da América e Israel provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei no Irã, uma preocupação, para além da escalada do conflito, gerou uma alerta de instabilidade econômica relacionada ao petróleo.
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A preocupação se dá, na prática, por conta do estreito de Ormuz. Trata-se de um canal de navegação utilizado para escoar o petróleo produzido em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque. Por ali, estima-se que passem pouco mais de 20% do petróleo mundial e mais de 25% do gás natural consumido no mundo.
Como o Irã exerce controle sobre parte do estreito, e já utilizou essa condição como instrumento de pressão em outros momentos, há a expectativa de que essa situação possa voltar a ocorrer.
Mapa mostra movimentação de navios na região

Preço do petróleo dispara
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã fez gerou instabilidade no mercado global de petróleo tipo Brent (referência global de preço) e fez com que o preço disparasse. O valor da commodity chegou a subir 13% na noite deste domingo (1º), atingindo a marca de US$ 82 por barril.
Boa parte do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi interrompido, por uma ação dos próprios armadores e traders diante do conflito. Ainda que a via marítima permaneça aberta, segundo autoridades iranianas, três petroleiros teriam sido atacados.
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Donald Trump, presidente dos EUA, declarou que nove embarcações navais iranianas foram afundadas por forças americanas. Ainda, disse que as operações na região irão seguir até que “todos os objetivos dos Estados Unidos sejam concluídos”.
No sábado, Estados Unidos e Israel atuaram em um ataque conjunto contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei. Uma onda de ataques contra Israel, contra bases americanas e países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, ocorreu como resposta.
“Vemos o Brent sendo negociado na faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril em nosso cenário-base ao longo de pelo menos a próxima semana”, escreveram analistas do Citigroup Inc. “Nossa visão central é que a liderança iraniana mude, ou que o regime mude o suficiente para encerrar a guerra em uma ou duas semanas, ou que os EUA decidam reduzir a escalada após uma mudança de liderança e um enfraquecimento do programa de mísseis e nuclear do Irã no mesmo período.”
O petróleo já registrava dois meses seguidos de alta, por conta de tensões geopolíticas e interrupções localizadas na oferta. A expectativa era de que mercado global enfrentaria um grande excedente, depois do aumento da produção por parte da Opep+.
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Atualmente, o Irã é responsável pela produção de cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, ou 3% da produção global. Contudo, a localização estratégica faz com que a nação também tenha influência sobre o fornecimento da commodity. A rota é essencial para que o petróleo chegue a mercados como China, Índia e Japão.
*Com informações de GloboNews, CNN e Valor Econômico

