A trajetória de Anna Jacintha de São José, conhecida historicamente como Dona Beja, costuma ser lembrada pelos episódios de luxo, poder e polêmicas que marcaram sua vida durante o período do Brasil Império.

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No entanto, além da imagem da cortesã influente que circulava entre as elites, existe um lado menos comentado de sua história: o de uma mulher que, nos últimos anos, optou por uma rotina tranquila, voltada à família e à devoção religiosa.

Uma vida que começou com grandes reviravoltas

Dona Beja nasceu em 1800 na cidade de Formiga, em Minas Gerais. Desde jovem, sua vida foi marcada por acontecimentos que mudaram completamente seu destino.

Um dos episódios mais conhecidos foi o sequestro realizado por um ouvidor ligado à Coroa portuguesa, que a levou para viver em Paracatu.

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Depois de alguns anos, ela retornou para Araxá, onde acabou se tornando uma figura famosa e controversa.

Ali, ganhou notoriedade como cortesã e passou a conviver com homens influentes da sociedade da época. Mesmo sem ter recebido educação formal, conseguiu acumular uma fortuna significativa, formada por terras, joias e uma rede de contatos políticos incomum para mulheres no século XIX.

Nova fase no interior mineiro

Por volta da metade do século 19, sua vida tomou um novo rumo. A proximidade com a filha mais velha, Thereza Thomazia, e o crescimento do garimpo de diamantes na região fizeram com que Dona Beja se mudasse para a antiga freguesia de Bagagem, hoje chamada de Estrela do Sul.

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Nesse período, ela deixou de lado a imagem de cortesã e passou a atuar como investidora em atividades ligadas ao garimpo.

Um dos projetos dos quais participou ficou conhecido como “California”, empreendimento que desviou o curso do Rio Bagagem para facilitar a busca por pedras preciosas.

Vida simples e dedicação religiosa

Os cerca de 30 anos finais de sua vida foram marcados por uma rotina mais tranquila. Dona Beja passou a viver em uma casa modesta próxima ao rio e dedicou boa parte do tempo à família e à prática religiosa.

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Registros históricos indicam que sua fortuna já não era tão grande quanto no passado. Ainda assim, ela realizou ações que ficaram marcadas na memória local.

Devota de Nossa Senhora Mãe dos Homens, padroeira da cidade, financiou a construção de uma ponte sobre o Rio Bagagem para poder assistir à procissão da santa diretamente de sua casa.

Com o passar dos anos, a mulher que antes era motivo de escândalo passou a ser vista pelos moradores como uma benfeitora da comunidade.

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O fim de uma trajetória singular

Dona Beja morreu em 20 de dezembro de 1873, aos 73 anos, após sofrer complicações renais. Seu corpo foi enterrado no antigo cemitério de Estrela do Sul, área onde hoje está localizada a praça da Igreja Matriz da cidade.

Mesmo após mais de um século, sua história continua despertando curiosidade. Entre relatos históricos, construções antigas e representações culturais, Dona Beja permanece como uma das figuras mais marcantes e intrigantes da história de Minas Gerais.