Fusão. Este foi o início do Joinville Esporte Clube há exatos 50 anos. Assim como eternizado no hino, o Jec nasceu campeão, em 1976, a partir da junção de dois times da cidade, o América e o Caxias. Meio século depois, o clube coleciona vitórias, uma torcida apaixonada e um futuro ainda a ser traçado.

Continua depois da publicidade

Antes disso, os dois times rivais da maior cidade de Santa Catarina viviam momentos de dificuldade e já não traziam muitos motivos para que os joinvilenses sonhassem com mais conquistas nos gramados. Até que a união deu origem ao tricolor que brilhou nas suas primeiras décadas de disputa.

Veja fotos do clube

Assim, em 29 de fevereiro de 1976, nasceu o Joinville Esporte Clube, trazendo os jogadores rivais para jogarem pela mesma camisa. Osni Fontan, com passagens pelos dois clubes, ficou com a responsabilidade de ser o primeiro capitão tricolor. Aos 76 anos, ele relembrou o início daquela jornada.

— Os dois plantéis, de Caxias e América, se uniram de uma forma tão violenta… Vamos dizer assim. De rivais, começaram a ser todos amigos no clube e isso veio a render dentro do campo — afirma.

O primeiro jogo

A estreia do JEC aconteceu no aniversário de 125 anos de fundação da cidade. O time entrou em campo pela primeira vez em uma partida contra o Vasco da Gama, no estádio Ernesto Schlemm Sobrinho. O Joinville abriu o placar com o gol do Tonho e Roberto Dinamite empatou para o clube Carioca. 

Continua depois da publicidade

Ao final da partida, a torcida já demonstrava afeto pelo novo clube e festejava pelas ruas com orgulho pelo empate.

Naquele mesmo ano, em 1976, o JEC estrelou uma trajetória avassaladora no início do campeonato estadual, com seis vitórias em seis jogos disputados. Joel Mendes, ex-lateral direito do clube, relembra a façanha. 

— O que nós entendemos com aquilo ali: “gente, nós temos capacidade de ganhar dos caras da capital, ser campeão. Eles que vão ser a bola da vez” — conta.

E o time nasceu campeão. Em seu ano de estreia, conquistou a torcida e levantou a taça do Catarinense pela primeira vez.

Continua depois da publicidade

O octacampeonato e a era de ouro do tricolor

Alguns anos depois, na década de 1980, o JEC fez a torcida ir ao delírio com uma conquista inédita no Estado: o octacampeonato catarinense. De 1978 a 1985, o clube levantou oito títulos consecutivos.

— O JEC coroou ali uma fase histórica com o oitavo título estadual consecutivo. Uma façanha que, até hoje, ninguém no Estado repetiu. No futebol brasileiro, só o Inter, de Porto Alegre, que chegou ao octacampeonato. Nesse mesmo ano (do octa), o Joinville foi ainda o oitavo lugar na série A — comenta o jornalista esportivo Anildo Jorge.

O jornalista destaca que, em 1985, mesmo entre 44 clubes, o time joinvilense garantiu uma posição de destaque no cenário nacional. A oitava colocação na série A do Campeonato Brasileiro é o segundo melhor resultado de times catarinenses na história. O feito só foi superado em 2009, quando o Avaí ficou na sexta posição. 

Nomes de peso no time de 1985

Qualidade do elenco. Este é o fator que Anildo destaca entre o conjunto de elementos que ajudaram a trazer o oitavo título do catarinense ao JEC. Na época, o clube era composto por jogadores que trilharam um caminho de sucesso na Seleção Brasileira e grandes times do país. 

Continua depois da publicidade

—  Alfinete foi bicampeão paulista pelo Corinthians, em 1982 e 1983, jogando com Sócrates e Casagrande. O Geraldo Pereira, que veio do São Paulo, já tinha jogado na Seleção Brasileira principal, disputado uma Copa América. O Paulo Egídio já tinha jogado no Corinthians e Vasco. Eram jogadores que vieram de grandes clubes e acrescentaram muita qualidade — fala.

A trégua nas vitórias e a volta do clube

A década de 1990 foi um período mais “modesto” para o JEC. O retorno do clube para os holofotes catarinenses aconteceu em 2000, com a conquista do Campeonato Catarinense após 13 anos.

Nova casa

Até então, o estádio “Ernestão” era sinônimo de casa para o clube joinvilense. Em 2004, foi fundada a Arena Joinville, local de novas conquistas, como a série C de 2011 e a série B em 2014, que levou o tricolor para a elite do futebol brasileiro.

Um presente difícil e futuro incerto

Nos últimos anos, o tricolor joinvilense tem enfrentado uma fase difícil, em um jejum de conquistas relevantes, instabilidade no elenco e problemas financeiros que têm afetado o desempenho em campo.

Continua depois da publicidade

Ao chegar nas comemorações do cinquentenário, o JEC vive um momento delicado: a possibilidade de ser rebaixado à segunda divisão do Catarinense, caso não consiga se salvar do “quadrangular”, que elimina três dos quatro times na atual fase.

Nos últimos meses a possibilidade de se transformar em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ganhou força no clube que, atualmente, funciona no modelo associativo. No entanto, o processo tem se arrastado. A principal interessada em assumir a SAF é a BR Football, gerenciada pela start up Sportheca. Em 19 de janeiro, uma reunião definiu os próximos passos da proposta, que deve ser apresentada até abril deste ano.

Com crise nos bastidores, pressão da torcida e saldo de gols negativo, o clube tenta articular uma possibilidade para estabilizar o elenco e voltar a pensar naquilo que mais sente falta: as conquistas.

*Em colaboração com o repórter da NSC TV, André Pereira

**Com informações do documentário “50 anos de paixão” produzido pela NSC TV

***Sob supervisão de Marcos Jordão