A emoção de uma grande aventura nem sempre envolve velocidade ou perigo. Para o uruguaio Mauricio Silvera, ela surge no silêncio da natureza, quando um pássaro raro aparece entre galhos e sombras. Foi assim que ele viveu um dos momentos mais marcantes de sua vida.
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Estudante de biologia e fotógrafo, Silvera transformou um hobby de infância em missão pessoal. Desde pequeno, ele observa aves e registra espécies, mas uma em especial parecia impossível de encontrar: o urutau, ave noturna cercada por mistério e histórias populares.
Depois de anos de busca, o encontro finalmente aconteceu. O jovem conseguiu fotografar não apenas um, mas dois exemplares, encerrando uma perseguição que misturou paciência, conhecimento e uma dose de sorte.
Paixão que começou cedo
O fascínio por pássaros surgiu quando Silvera tinha apenas cinco anos. Ainda criança, ele já reconhecia diferentes espécies e se divertia memorizando nomes científicos, algo incomum para a idade e que chamava a atenção da família.
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Na adolescência, o interesse ganhou novos rumos. Aos 13 anos, passou a compartilhar registros na plataforma eBird, comunidade internacional dedicada à observação de aves, onde publicou fotos, vídeos e relatos de avistamentos.
Para ele, encontrar uma espécie é comparável a um momento esportivo decisivo. “É uma adrenalina no peito de não saber o que fazer: se gritar, tirar a foto e contar para alguém. É quase como estar procurando pokémons”, contou em entrevista ao jornal Metrópoles.
A busca pela ave mais misteriosa
Entre tantas espécies já registradas, uma ausência incomodava: o urutau. Conhecida pela camuflagem perfeita e pelos hábitos noturnos, a ave é famosa por “desaparecer” à luz do dia, confundindo-se com troncos e galhos secos.
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O desafio de encontrá-la transformou-se em verdadeira obsessão. Silvera explorou áreas naturais, ouviu relatos de moradores e aguardou longas horas na mata, sempre atento a qualquer som diferente no ambiente.
Quando finalmente avistou o animal, a sensação foi de incredulidade. O fotógrafo conseguiu registrar dois indivíduos e compartilhou as imagens em seu perfil no Instagram, onde reúne parte de seu trabalho.
A ave cercada de lendas e silêncio
O urutau habita regiões da América do Sul e Central e possui aparência singular. Com plumagem marrom-acinzentada e corpo alongado, ele imita perfeitamente um tronco, estratégia essencial para se proteger de predadores durante o dia.
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Apesar de muitas vezes ser confundido com corujas, a espécie tem características próprias, como olhos amarelos grandes e boca larga, adaptada para capturar insetos em voo durante a noite, quando está mais ativa.
Seu canto, longo e melancólico, alimenta histórias populares. Em várias comunidades rurais, o som é associado a lendas de amores perdidos e luto, o que fez a ave ganhar fama de mensageira de tristeza ou mau presságio.
Conservacionistas, porém, reforçam que o animal é inofensivo e importante para o equilíbrio ambiental. Discreto e solitário, ele ajuda a controlar populações de insetos e raramente entra em contato direto com humanos.
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Para Silvera, o encontro vai além de um registro fotográfico. Representa anos de dedicação a uma paixão silenciosa, capaz de transformar uma simples caminhada na mata em uma experiência tão intensa quanto qualquer aventura extrema.
E, como acontece com muitos observadores de aves, a sensação após cumprir a missão não é de encerramento, mas de começo. Afinal, na natureza, sempre existe uma próxima espécie rara esperando para ser descoberta.
