No primeiro domingo de junho é comemorado o Dia Nacional do Vinho Brasileiro, data instituída por lei para valorizar a vitivinicultura do país, que é um segmento crescente. E se você mora em Santa Catarina, provavelmente já ouviu falar no termo “Vinhos de Altitude”. Eles movimentam a economia da região e frequentemente atraem turistas e entusiastas para as vinícolas da Serra Catarinense.

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Os vinhos de altitude são produzidos exclusivamente na Serra Catarinense, com direito à Indicação Geográfica, oficializada em 2021, que além de reconhecer a procedência dos vinhos, determina normas para caracterizar a produção. As vinícolas de altitude estão localizadas em cerca de 20% do território catarinense, entre 900 a 1.400 metros em relação ao nível do mar. A maioria delas trabalha com variedades francesas e algumas italianas.

O que dá destaque aos vinhos de altitude são as condições geográficas e climáticas em que são produzidos. A maneira como as estações do ano se comportam na altitude da Serra Catarinense interfere no desenvolvimento das uvas, na maturação e na longevidade dos vinhos. A região possui uma grande amplitude térmica, o que favorece as condições do ciclo vegetativo dos frutos.

Em outras regiões, a colheita ocorre no mês de janeiro, se estendendo no máximo até fevereiro. Já na Serra Catarinense, o período de colheita é a partir de fevereiro, podendo se estender até maio. Dessa maneira, o processo de amadurecimento das uvas não ocorre na época de chuvas, o que faz as frutas acumularem mais açúcares e compostos que tornam o vinho mais longevo.

Terra de vinhos premiados

  Os vinhos de altitude produzidos na Serra Catarinense chamam atenção não só no território nacional. Recentemente, o vinho Vermentino, produzido na vinícola Abreu Garcia, em Campo Belo do Sul, levou o primeiro lugar em uma premiação internacional realizada na Itália. O enólogo Leonardo Ferrari foi o responsável pelo rótulo, sendo pioneiro na produção da variedade no Brasil.

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O primeiro idealizador do projeto foi o dono da vinícola, Ernani Garcia, que provou o vinho Vermentino em uma viagem à Itália e se encantou pela variedade. Em 2015, Leonardo chegou na vinícola para a primeira safra de uma casta de uvas consagrada no Mediterrâneo, mas completamente nova para o território brasileiro.

Foram anos de estudos e análises para desenvolver a interpretação brasileira do Vermentino, levando em conta todas as características da região. Hoje, Leonardo é o enólogo que elabora Vermentino há mais tempo no país. Por conta do pioneirismo na produção, ele foi convidado a ser jurado no mesmo concurso que premiou o vinho da Abreu Garcia, sendo o único componente sul-americano da banca.

— É uma troca de experiências e é engraçado como que o Brasil ainda não é visto como um produtor de vinhos, mas quando o público de fora prova o vinho brasileiro, eles pensam: “Poxa, como eu não ouvi falar antes?” Nós temos qualidade, excelência técnica, tecnologia de vanguarda, muito além de regiões já tradicionais no mundo do vinho — afirma Leonardo.

Em comparação aos grandes vinhedos do mundo, a vitivinicultura da Serra Catarinense é bastante jovem, com início das estruturações na década de 90 e crescimento contínuo ao longo dos anos. Segundo Leonardo, a área de vinhedos do Brasil cresceu muito nos últimos anos, sendo um dos poucos países a registrar aumento tanto na área de cultivo quanto no consumo de vinho.

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Um brinde ao turismo

Os vinhos de altitude não são somente um produto de qualidade, são um atrativo turístico. O enoturismo é um segmento que vem se popularizando nos últimos anos e atraindo visitantes de diversos locais para as vinícolas da Serra Catarinense durante todas as estações do ano.

Atualmente, o interesse dos visitantes não está somente em beber o vinho, está em conhecer a cultura, a história e o processo. Claro, as paisagens naturais da região serrana também contribuem para um ecossistema turístico que vem girando a economia da Serra Catarinense de um modo não visto antes.

— O vinho é o protagonista, mas o enoturismo é tudo o que acontece fora da taça — alega Leonardo.

O enoturismo impulsiona todo o entorno, aprimorando as hospedagens, bares e restaurantes na região. O serviço é aprimorado e reúne um público entusiasta do assunto. As atividades que giram em torno dos vinhos de altitude são um precioso adendo à movimentação na Serra Catarinense, fortalecendo a região como polo turístico.

Por todo esse contexto econômico e cultural que gira ao entorno da taça que foi criado o Dia do Vinho Brasileiro, para valorizar a produção nacional e todo o impacto que ela gera, não só nas vinícolas de altitude, mas em todos os vinhedos distribuídos pelo país.

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— A data é importante porque reconhece que o vinho não é apenas um produto. Ele movimenta agricultura, turismo, gastronomia, ciência e cultura. Cada garrafa começa muito antes da vinícola: começa no campo, atravessa uma safra inteira e envolve uma cadeia de pessoas que acreditam no território — conclui Leonardo.