O ator e diretor Lázaro Ramos, atualmente com 47 anos, abriu o coração sobre a complexa relação que manteve com sua mãe, Célia Sacramento, falecida quando ele tinha apenas 19. Em entrevista à GQ Brasil, o artista revelou que, por muito tempo, julgou a postura da mãe diante das dificuldades que ela enfrentava como trabalhadora doméstica em Salvador.

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A reflexão surgiu após um pesadelo que o transportou de volta ao quarto de empregada onde dona Célia vivia em um regime de trabalho exaustivo, que Lázaro descreve hoje como “7×0”.

Lázaro confessa que, durante anos, rotulou a mãe como “permissiva” por não reagir às humilhações no trabalho, como o dia em que ela recebeu um tapa no rosto da patroa e reagiu com um sorriso constrangido para poupar o filho do sofrimento.

Em 2017, ao escrever seu livro Na Minha Pele, Lázaro conta que foi alertado pelo editor sobre o pouco espaço dedicado à mãe. Isso o fez perceber que havia “apagado” a humanidade de dona Célia para lidar com a dor de sua exploração.

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“Por não ter vivido o que ela viveu, eu não conseguia entender o motivo de ela não reagir”, lamenta o ator, que hoje compreende o silêncio da mãe como uma forma de sobrevivência e proteção.

Assim que alcançou o sucesso financeiro na carreira, Lázaro comprou o imóvel onde a mãe trabalhou. O gesto foi uma mistura de justiça e tributo à mulher que adoeceu aos 40 anos e foi cuidada por ele até o fim.

Lázaro Ramos reforça que sua recusa em aceitar papéis de serviçais sem história de vida é uma extensão da luta de sua mãe. Para ele, tirar a história de um personagem é tirar sua humanidade, algo que ele prometeu nunca mais fazer, nem na ficção, nem na memória de dona Célia. “A minha meta de vida sempre foi trazer o sorriso da minha mãe”, diz o ator.

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Veja fotos do lançamento de A Nobreza do Amor, com Lázaro Ramos

*Sob supervisão de Pablo Brito

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