Com a nova adaptação de “A Odisseia”, de Christopher Nolan, a jornada de Odisseu voltou a despertar uma pergunta antiga: os lugares narrados por Homero existiram de verdade ou fazem parte apenas do mito?
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Para sanar essa dúvida, o NSC Total levantou o que sabemos de mais relevante sobre a existência das cinco principais localidades do épico, e que podem aparecer no filme: a cidade de Troia, Ítaca, Ogígia, Edéia e a Ilha dos Ciclopes.
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Troia
Na Odisseia, Troia não é a protagonista como na Ilíada, mas o ponto de começo da história. Neste conto, acompanhamos Odisseu retornando para sua casa após a queda troiana e sua jornada de anos para chegar à Ítaca.
Dentre os sítios conhecidos, o melhor candidato real é Hisarlik, no noroeste da atual Turquia. O sítio é reconhecido pela Unesco como o Sítio Arqueológico de Troia, com cerca de 4 mil anos de história e escavações iniciadas por Heinrich Schliemann em 1870.
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Hisarlik reúne uma sequência de cidades sobrepostas, com muralhas, portões, rampas, bastiões e estruturas de diferentes períodos. A Unesco destaca ainda uma cidade baixa de cerca de 30 hectares na Idade do Bronze tardia.

Ítaca
Ítaca é o centro emocional da Odisseia. É para lá que Odisseu tenta voltar, onde Penélope resiste aos pretendentes e onde Telêmaco espera o retorno do pai. Sem Ítaca, a viagem não tem sentido.
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O candidato tradicional é a atual ilha de Ithaki, na Grécia. A ligação se tornou ainda mais forte quando, em 2025, o Ministério da Cultura da Grécia encontrou na região registros de um complexo helenístico identificado como Odysseion de Ítaca, um santuário ou heroon dedicado a Odisseu.

Ainda assim, há debate. Uma hipótese recente, ligada ao projeto Odysseus Unbound, defende que a Ítaca homérica poderia corresponder à península de Paliki, em Cefalônia, e não à ilha moderna de Ithaki. Porém, este projeto enfrenta maiores dificuldades.
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Na época, os autores defendiam que Paliki poderia ter sido uma ilha separada na Idade do Bronze, antes de ser ligada a Cefalônia por mudanças geológicas. Estudos posteriores, porém, indicaram que Paliki provavelmente não era uma ilha independente nesse período.

Ogígia, a ilha de Calipso
Ogígia é a ilha onde Odisseu fica preso pelos deuses, sob os cuidados da deslumbrante Calipso. Na obra, o lugar representa uma espécie de pausa sedutora e perigosa: ele poderia ficar ali, mas isso significaria desistir de Ítaca.
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O melhor candidato é a Ilha de Gozo, em Malta. Essa ligação já é utilizada no imaginário local e turístico, especialmente ao redor da Caverna de Calipso. O vínculo, porém, é mais literário e tradicional do que arqueológico.

Um estudo do arqueólogo Anthony Bonanno reforça que a associação entre Gozo e Ogígia é antiga, citada desde autores helenísticos como Calímaco. Ainda assim, o elo segue no campo da tradição: há indícios de contato micênico em Malta, mas nenhuma prova de que a ilha de Calipso tenha sido ali.
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Ilha dos Ciclopes
A ilha dos Ciclopes é um dos pontos mais famosos da Odisseia. É ali que Odisseu encontra Polifemo, o gigante de um olho só, fica preso em sua caverna e usa o nome “Ninguém” para escapar depois de cegá-lo.
O melhor candidato geográfico costuma ser a Sicília oriental, especialmente a região de Aci Trezza, perto de Catânia na Itália. O local é famoso pelos faraglioni, formações rochosas de basalto associadas à chamada Riviera dos Ciclopes.
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O sítio arqueológico mais interessante ligado ao mito, embora não seja “a ilha dos Ciclopes”, fica em Sperlonga, na Itália. A Villa de Tibério revelou grupos escultóricos monumentais inspirados na Odisseia, encontrados em milhares de fragmentos no fim dos anos 1950.

Eéia, a ilha de Circe
Eéia é a ilha de Circe, a feiticeira que transforma os companheiros de Odisseu em porcos. Na narrativa, o episódio marca outro tipo de ameaça: não apenas o monstro físico, mas a perda da identidade humana.
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O melhor candidato tradicional é o Monte Circeo, no litoral do Lácio, na Itália. O promontório fica dentro do Parque Nacional do Circeo e há séculos é associado à morada da maga Circe.

Egnoka / Wikimedia Commons)Continua depois da publicidade







