A Circulação Meridional do Atlântico, conhecida como AMOC, é um sistema de correntes oceânicas invisíveis que redistribui calor pelo planeta. 

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Ela transporta águas quentes dos trópicos para o Atlântico Norte e devolve águas frias para latitudes mais baixas.

Esse fluxo funciona há cerca de 10 mil anos. No Atlântico Norte, a água quente perde calor, fica mais densa e afunda, mantendo um ciclo que regula temperaturas, influencia chuvas e sustenta ecossistemas marinhos. 

Não à toa, o governo da Islândia decidiu incluir o possível colapso da AMOC em uma estratégia de segurança nacional. O cenário, antes visto como distante, passou a ser considerado uma ameaça concreta nas próximas décadas.

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Questão de segurança

Especialistas climáticos indicam que, se a AMOC enfraquecer de forma drástica, o planeta continuará aquecendo.

Ainda assim, partes da Europa podem enfrentar um resfriamento abrupto. No caso da Islândia, há projeções de invernos próximos de -45°C e formação de gelo marinho ao redor da ilha, algo que não ocorre desde o início da ocupação humana.

O que dizem as pesquisas

Em 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas avaliou como muito improvável um colapso antes de 2100. Desde então, novas pesquisas ampliaram as estimativas de risco.

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Um estudo publicado em 2024 analisou projeções de vários modelos climáticos sob diferentes trajetórias de emissões de gases de efeito estufa. 

Mesmo em cenários em que as emissões são reduzidas e as metas do Acordo de Paris são cumpridas, os resultados indicaram cerca de 25% de chance de a AMOC entrar em colapso ao longo dos séculos.

Debate científico

Segundo a revista Veja, o oceanógrafo Stefan Rahmstorf afirma que o risco foi subestimado por anos e alerta para a possibilidade de um ponto de não retorno nas próximas décadas.

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Apesar disso, há divergências. Alguns pesquisadores argumentam que mecanismos naturais podem oferecer maior estabilidade ao sistema. 

Ainda assim, dados observacionais compilados por instituições como a NOAA e o Met Office britânico indicam enfraquecimento desde meados do século 20. 

Impactos do aquecimento global

O aumento da temperatura média da Terra interfere diretamente nesse mecanismo. 

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O derretimento da Groenlândia lança grandes volumes de água doce no Atlântico Norte. Com menor salinidade, a água fica menos densa e tem mais dificuldade de afundar, o que compromete o ciclo.

Além disso, oceanos mais quentes trocam menos calor com a atmosfera. Esse detalhe reduz a formação das águas frias e salinas que sustentam a circulação. 

Além da Europa, a AMOC influencia o regime de chuvas na Amazônia, a agricultura mundial e os ventos na África Ocidental e no Sul da Ásia.

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Alterações nesse equilíbrio podem intensificar eventos extremos, afetar cadeias alimentares e gerar instabilidade geopolítica, segundo análises do Instituto de Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático e da Strategic Climate Risks Initiative.

Decisão do governo

Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia depende da pesca e de um clima relativamente previsível. Um resfriamento abrupto afetaria agricultura, infraestrutura e condições de vida. 

O governo irlandês informou que incorporará o risco da AMOC ao planejamento nacional até 2028. Porém, especialistas acreditam que esperar a certeza de um possível colapso pode significar agir tarde demais.

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