O Procon de Florianópolis notificou a empresa 99, ao qual estava vinculado o motorista de aplicativo que atropelou Mia Sophie da Silva Bispar, de 21 anos. O caso foi registrado na madrugada de sábado (30), na Capital. A empresa terá 48 horas para prestar esclarecimentos.

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Segundo a vítima,  houve um desentendimento relacionado ao pagamento da corrida, que resultou no atropelamento. A Polícia Militar registrou o caso como lesão corporal na direção de veículo automotor. À NSC TV, ela mostrou as marcas no rosto, no corpo e nas mãos, e descreveu detalhes do caso, que agora é investigado pela 7ª Delegacia de Polícia da Capital.

Passageira atropelada sofreu ferimentos e foi levada ao hospital

O Procon instaurou procedimento administrativo e solicitou diversas informações à empresa. Entre elas, estão:

  • Identificação do motorista envolvido na ocorrência;
  • Data, horário e número do protocolo da corrida;
  • Informações sobre o ponto de embarque e desembarque registrados na plataforma;
  • Histórico completo da corrida, incluindo trajeto realizado e registros de geolocalização;
  • Medidas adotadas pela empresa após a ocorrência;
  • Informação sobre eventual bloqueio preventivo, suspensão ou desligamento do
    motorista da plataforma;
  • Procedimentos de segurança disponibilizados aos usuários em situações de conflito
    envolvendo motoristas parceiros;
  • Existência de registros de áudio, mensagens, comunicações internas ou quaisquer outros dados eletrônicos relacionados à corrida.

Procurada pelo NSC Total, a 99 lamentou o ocorrido e informou que possui uma política de tolerância zero para “comportamentos ofensivos, atitudes agressivas e quaisquer outras formas de violência,
especialmente contra mulheres.”

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“O motorista parceiro foi permanentemente bloqueado da plataforma e uma equipe busca contato com a passageira para acolhimento e orientação sobre o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e auxílio para despesas médicas. A empresa segue à disposição para colaborar com as autoridades, se necessário”, afirmou a 99.

Passageira atropelada em Florianópolis: entenda o que aconteceu

Mia contou que o desentendimento com o motorista parceiro da 99 começou quando ela foi pagar a viagem ao lado da mãe e dois amigos. Isso porque o celular dela descarregou e, por isso, ela ofereceu dinheiro em espécie para o motorista. Ao entrar no carro, logo no início da corrida, Mia já percebeu que o motorista estava “alterado e muito agitado”.

— Na hora do pagamento, ele já falou “Ai, faz o pagamento logo que eu quero ir para casa logo”. Ele começou a ser agressivo para cima de mim, gritando comigo — contou.

Segundo ela, a corrida custou R$ 21,90. A jovem, então, ofereceu uma nota de R$ 100, mas o motorista não aceitou.

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— Eu até pedi para ele ainda “Eu posso carregar então meu celular no teu carro? Que assim meu celular ligava e eu fazia o Pix para ele”. Nem isso ele aceitou. Ele não queria o dinheiro, ele queria realmente brigar — disse.

Mia entregou a nota de R$ 100 e saiu do veículo. Foi nesse momento, enquanto ela atravessava a rua, que ele a atropelou. Depois disso, a jovem não lembra de muita coisa, apenas “flashs”. Conforme a Polícia Militar, o motorista deixou o local sem prestar socorro. O caso foi registrado como lesão corporal na direção de veículo automotor.

A jovem sofreu um corte na região da sobrancelha e uma fratura no rosto e foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital Celso Ramos. Segundo Mia, ela também precisou fazer um raio-X por causa de uma suspeita de fratura perto do pulmão.

— Tenho quase 80% de chances que eu vou ter que fazer uma cirurgia. Acho que o especialista é bucomaxilofacial, que eu vou ter que retornar para eles avaliarem. Agora o meu rosto tá muito inchado, então eu tenho que estar pelo menos um pouco mais desinchada para eles conseguirem avaliar e verificar se precisam mesmo realmente fazer a cirurgia — afirmou.

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Segundo a passageira, no aplicativo a corrida consta como paga, mas o troco também não foi recebido. Mia pede justiça e também questionou os mecanismo de segurança adotados pelas plataformas de transporte por aplicativo.

— A gente precisa se sentir segura no aplicativo […] Antecedentes criminais, tem que verificar o exame toxicológico. Uma pessoa que usa várias drogas ilícitas, como que tá dirigindo várias horas, trabalhando virado? — disse.

Segundo Mia, o motorista entrou em contato com ela por meio das redes sociais, se oferecendo para arcar com os custos necessários. Ele ainda não foi identificado pela investigação da Polícia Civil. Testemunhas ainda serão ouvidas para compor a investigação.

— Eu acredito que ele não vai conseguir [arcar com os custos], porque os gastos são muito altos […] eu quero que a justiça seja feita. Eu quero que a 99 se responsabilize e ele também — destacou Mia.

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