‘Será que o fim está próximo?’ Essa é uma pergunta frequentemente feita quando muitos temem a vinda de um apocalipse para acabar com a vida no Planeta Terra.

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Com a aparição de peixe-remo em uma praia de Cabo San Lucas, no México, no final de fevereiro, o debate foi reacendido que mistura folclore milenar e ciência.

Conhecido popularmente como “peixe do fim do mundo” ou “peixe do juízo final”, o animal é protagonista de lendas que o apontam como um arauto de desastres naturais, como terremotos e tsunamis.

O fenômeno no México

O registro recente chamou a atenção por ser uma raridade: peixes-remo vivem em profundidades que variam de 200 a 1.000 metros, e raramente são vistos vivos na superfície.

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Em Cabo San Lucas, banhistas chegaram a tentar ajudar um dos animais a retornar para a água, mas ele permaneceu se debatendo na areia.

Embora o Instituto Scripps de Oceanografia aponte que menos de duas dúzias desses peixes foram avistados na região nos últimos 120 anos, a frequência parece estar aumentando.

Apenas em 2025, foram seis aparições documentadas ao redor do mundo, e 2026 já registra novos casos.

A lenda do “Mensageiro do palácio do deus do mar”

A associação com catástrofes vem da mitologia japonesa. No xintoísmo, o peixe é chamado de ryūgū no tsukai, o “Mensageiro do Palácio do Deus do Mar”, e seria um servo de Susanoo, o deus dos mares revoltosos. Segundo a crença, ele sobe à superfície para alertar sobre tremores iminentes.

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O mito ganhou força global em 2011, quando diversos peixes-remo apareceram na costa do Japão pouco antes do terremoto e tsunami de Fukushima, que vitimou mais de 20 mil pessoas.

O que diz a ciência

Apesar do misticismo, a ciência busca explicações racionais. Uma das hipóteses, mencionada pelo geofísico Kiyoshi Wadatsumi, sugere que animais abissais poderiam ser sensíveis a abalos sísmicos submarinos antes mesmo de serem detectados por humanos.

No entanto, um estudo japonês abrangente, liderado por Yoshiaki Orihara em 2019, refutou a conexão direta.

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Ao cruzar dados históricos de aparições de peixes e atividades sísmicas, os pesquisadores concluíram que não existe uma relação consistente entre os dois eventos.

Os especialistas classificam a lenda como uma “correlação ilusória”, uma tendência humana de conectar dois eventos raros que coincidem ocasionalmente por puro acaso.

Gigante das profundezas

Além do folclore, o peixe-remo (Regalecus glesne) impressiona por suas características físicas:

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  • Tamanho: Pode chegar a 17 metros de comprimento.
  • Peso: Pode ultrapassar os 200 quilos.
  • Aparência: Corpo prateado e alongado, o que lhe rende o apelido de “serpente marinha”.

Mesmo que a ciência descarte o seu poder de previsão, a presença desse gigante nas praias continua a fascinar o público e a desafiar os biólogos marinhos sobre os motivos que levam esses animais das profundezas até a costa.

*Por Raphael Miras