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Nossa Gente é da Hora

Percussionista mais conhecido do Ribeirão da Ilha comemora 80 anos

Seu Dedinha vai comemorar a data com muita festa e música boa

09/06/2018 - 09h45

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Por Redação NSC
(Foto: )

Neste sábado, a comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, tem um evento marcado e que ninguém pode perder: a festa em comemoração ao aniversário de 80 anos de seu Arnoldo Manoel Feliciano. Homem devoto de Nossa Senhora da Lapa e músico mais velho da centenária Banda da Lapa. Não por acaso, a festa, que começa às 20h30min e deve seguir noite adentro, será realizada no salão paroquial da Igreja do Ribeirão da Ilha com direito a risoto, salpicão e muito samba.

Não conhece seu Arnoldo? Quem sabe Dedinha, ou então Pelé? Sim, essa figura, de pose séria, mas que em poucos minutos de conversa já solta um belo sorriso, é o percussionista mais conhecido do sul da Ilha.

– Eu faço 80 anos no domingo, mas vão fazer a festa no sábado. Nem queria fazer isso aí, mas vamos fazer porque, seguinte, passei trabalho nesta vida. Em 2012 fiquei doente, se não fosse o Andrey eu tinha morrido. Fiquei 40 dias entubado na UTI, eu tava desenganado pelos médicos, era só 1% de chance. Se não fosse a reza da comunidade. Fico muito contente que vou chegar aos 80. Pra mim isso é um privilégio – diz Dedinha ao recordar o infarto que sofreu e que, por pouco não o levou para tocar no céu.

Após meses de recuperação e 50 fisioterapias, Dedinha já estava tocando e cantando na festa do Zé Pereira, demonstrando que a fé inabalável, as rezas da comunidade e o apoio da família fizeram milagre.

– Eu lembro que cheguei de muleta, subi no palco e comecei a tocar. Joguei a muleta fora. O pessoal me aplaudiu.

Andrey Luiz de Sousa, 37 anos, sobrinho de Dedinha, conta que, desde então, todos os anos o aniversário do tio não passa em branco. Uma forma de celebrar a vida e retribuir o carinho da comunidade.

– A saúde da gente é tudo na vida. A gente vai levando a vida, levando até a hora que der. Eu não quero morrer já, quero durar mais um tempo, já que cheguei até aqui – diz Dedinha.

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Uma história com a música

Não tem como conhecer seu Dedinha sem falar da Banda de Nossa Senhora da Lapa ou Banda da Lapa do Ribeirão da Ilha, que em 2018 completa 122 anos de trajetória. Inclusive, ele é o músico mais velho do grupo.

Dedinha cresceu em meio às marchinhas de Carnaval, ao samba e às canções religiosas da Festa do Divino, Festa da Padroeira do Ribeirão, entre outras. Os avós, tios e outros parentes participaram da banda.

Hoje, o filho de 39 anos também toca sax. Mas, apesar de ter crescido em meio aos instrumentos, ele só entrou para o grupo quando tinha 22 anos. Surdo e tamborim são seus instrumentos e é claro que Dedinha vai tocar no próprio aniversário.

– Vou levar meu instrumento e vou tocar, eu adoro tocar. Meus amigos também vão tocar. Quando a banda toca, é muita alegria pra mim. Eu me lembro dos falecidos Roberto, Seu

Paulo, Agenor, eu toco chorando às vezes, eu sinto falta deles, inclusive, da nossa turma, só eu estou na banda. Até já pensei em parar, mas falaram que eu não podia, então vou ficar até quando puder.

A Banda da Lapa nasceu em 1896, no mesmo dia da santa padroeira, em 15 de agosto. Com instrumentos importados da Alemanha, o grupo alegrava as festas da comunidade em apresentações alternadas com a extinta Sociedade Musical Amantes do Progresso, ou Banda da Cera. Resistente até hoje, a Banda da Lapa passou a formar músicos e conta com cerca de 30 integrantes de todas as idades.

Seu Dedinha já foi um dos presidentes da banda. A memória, não muito boa com datas, não lembra exatamente em que ano ele comandou o grupo, mas garante que foi numa época em que a banda estava caindo e precisou ser sacudida para voltar a brilhar e continuar cantando a comunidade.

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