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    Pílulas de saber: uso de antiácidos em recém-nascidos pode trazer mais riscos que benefícios

    Carlos Tonussi traz as últimas descobertas na área da saúde. Fique por dentro!

    28/04/2016 - 06h01

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    Por Redação NSC
    Bebês hospitalizados
    Bebês hospitalizados
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    Desde 2006, vários estudos têm associado o uso de medicamentos antiácidos em bebês hospitalizados de alto risco a infecções, enterocolite necrosante e maior risco de morte. Esses medicamentos — os anti-histamínicos H2, como a ranitidina, e inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol — foram originalmente aprovados para uso em adultos e crianças mais velhas.

    Apesar de não ser aprovado para uso em recém-nascidos, os médicos prescrevem os medicamentos para tratar a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e também outras complicações diagnosticadas nas unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN). Um estudo publicado on-line esta semana no The Journal of Pediatrics, mostra o quanto esses medicamentos foram prescritos para os recém-nascidos em 43 hospitais infantis, em todos os Estados Unidos.

    Barreira natural

    Dos 122 mil bebês estudados, 28.989 (23,8%) receberam um anti-histamínico H2 ou um inibidor de bomba de prótons. Bebês diagnosticados com DRGE, doença cardíaca congênita e problemas de ouvido, nariz e garganta eram os principais candidatos a receberem esses medicamentos. O número é surpreendente, pois existem vários estudos que afirmam que esses medicamentos podem causar efeitos nocivos. De fato, há mesmo pouca evidência de que os antiácidos sejam de alguma ajuda nas UTIN, de uma forma geral.

    Na verdade, o ácido do estômago funciona como uma barreira de proteção contra a entrada de bactérias nocivas nesses bebês, que têm o sistema imunológico ainda imaturo. Portanto, diminuir a acidez do estômago no recém-nascido, os deixa desprotegidos.

    Além disso, muitas vezes os bebês são diagnosticados com refluxo gastro-esofágico sem os testes adequados. Levando à prescrição de antiácidos sem necessidade. Muitos sintomas, normalmente associados ao refluxo bebês em prematuros, tais como problemas respiratórios, muitas vezes são simplesmente devidos à imaturidade. Nesses casos, o uso de antiácidos não resolverá nada.

    Perguntar sempre

    A maioria dos bebês que são tratados com medicamentos antiácidos nas UTIN, continuam a tomá-los depois que saem do hospital, segundo o estudo. Os médicos devem orientar os pais sobre quando devem parar de usar estes medicamentos. Os pais têm o direito de fazer perguntas e expressar preocupações sobre por que usar esses medicamentos, e quando para parar.

    Não se deve ter medo de perguntar sobre a real eficácia e, principalmente, sobre os possíveis efeitos colaterais. Os pediatras, por sua vez, devem usar medicamentos antiácidos em circunstâncias limitadas e somente após a confirmação de refluxo gástrico por testes adequados.

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