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Troca na investigação

Polícia Civil muda delegado responsável por investigar morte de transexual no norte da Ilha

Corporação diz que não descarta nenhum tipo de motivação para o assassinato de Jennifer Celia Henrique

13/03/2017 - 13h03

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Por Redação NSC
No sábado, amigos e familiares de Jenni protestaram contra o crime que consideram ter tido motivação de transfobia
No sábado, amigos e familiares de Jenni protestaram contra o crime que consideram ter tido motivação de transfobia
(Foto: )

O assassinato da transexual Jennifer Celia Henrique, a Jenni, 37 anos, morta a pauladas na madrugada do dia 10 no bairro Ingleses, em Florianópolis, será investigado pelo delegado Eduardo Matos, da 8ª Delegacia de Polícia, que cobre o norte da Ilha. Inicialmente, a investigação estava a cargo de Ênio Mattos, titular da Delegacia de Homicídios da Capital, que horas após a descoberta do corpo na última sexta-feira descartou que pudesse se tratar de crime de homofobia ou transfobia e afirmou que o homicídio foi motivado por "uma transa mal acertada".

O comando da Polícia Civil na Região Metropolitana de Florianópolis afirma que a troca se deu em função de Eduardo já investigar outros homicídios ocorridos no norte da Ilha. O delegado Verdi Furlanetto, diretor de Polícia da Grande Florianópolis, afirma que o caso foi assumido por Eduardo porque "ele atua na região norte da Ilha" em casos de homicídios. Ele argumenta que desde a criação da força-tarefa em janeiro para investigar os homicídios registrados na Capital este ano — já são 44 mortes violentas —, Eduardo ficou responsável pelos casos de assassinatos na região em que atua. Furlanetto citou como exemplo o caso do motorista Jeferson Bueno, que atropelou três pessoas – uma morreu e duas ficaram gravemente feridas – em Ingleses na madrugada de 1° de janeiro.

— Desde o início do ano, o delegado Eduardo está com os casos do norte da Ilha. Sobre o crime, hoje ainda é prematuro dizer qual a motivação do crime. A Polícia Civil está toda empenhada em resolver essa situação, mas a gente não descarta nada, nem a questão de gênero, nem passional, motivo torpe, não descartamos nenhuma dessas situações — ressalta Furlanetto.

A fala do diretor de Polícia Civil da Grande Florianópolis é completamente oposta ao que afirmou o delegado Ênio Mattos, titular da Delegacia de Homicídios, que na sexta-feira, quando chegou a ir ao local do crime e falava como o responsável por investigar o caso, descartou por completo a possibilidade de o homicídio ter como motivação o gênero da vítima.

A declaração, somada a outras como a de que "Jennifer é o nome de guerra", gerou críticas ao delegado no protesto promovido sábado de manhã por amigos, familiares e membros de movimentos de causas de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT). A manifestação ocorreu às margens da SC-403, próximo a construção abandonada em Jenni foi encontrada morta a pauladas. Segundo Furlanetto, a opinião de Ênio sobre o caso não reflete a opinião da Polícia Civil.

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