Estacas de madeira encontradas no fundo do rio Aare, na Suíça, confirmaram a existência de uma ponte romana de cerca de 1.700 anos em Solothurn, antiga Salodurum. Essa descoberta sana uma suspeita de décadas sobre uma ligação entre a Itália e a Alemanha.

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Por anos, arqueólogos teorizam sobre um local de transição que conectava o norte da Itália com a fronteira germânica do Rio Reno. Porém, não havia evidências de onde poderia ser essa passagem, até agora.

Curiosidades sobre o Império Romano

Cadáver sob o rio Aare

De forma interessante, para encontrar uma ponte antiga, foi preciso renovar uma nova. A descoberta ocorreu por causa de investigações arqueológicas subaquáticas feitas antes da renovação de uma ponte ferroviária moderna, a Wengibrücke, em Solothurn.

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Segundo o levantamento oficial da arqueologia cantonal, mergulhadores localizaram estacas de madeira ainda presas ao leito do rio. As peças ficam poucos metros acima da ponte atual, a cerca de 10 metros da margem sul. Elas formam uma fileira de quase dois metros na direção da correnteza.

Para os arqueólogos, os troncos provavelmente faziam parte de um pilar de ponte, conhecido como apoio de estacas. Essa estrutura sustentava a parte superior em que as pessoas passavam (Foto: Zde / Wikimedia Commons)

A datação das amostras de madeira indicou que o material pertence ao século IV. Ou seja, a ponte existia no período romano tardio, quando Solothurn passava por uma mudança importante.

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Importância da ponte

Naquele período, a antiga povoação romana da região deixava de ser uma cidade aberta e se transformava em um castrum, ou seja, um núcleo fortificado. Esse foi um período militar intenso em Roma, sob fustigo de povos germânicos que viviam do outro lado do Reno.

O caminho passava pelo Grande São Bernardo, seguia pelo planalto suíço ocidental e cruzava a região do Jura. A travessia em Solothurn funcionava como uma peça de ligação entre montanhas, rios e fronteiras.

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Nome da cidade já dava uma pista

A antiga Solothurn era chamada de Salodurum. O nome é uma forma latina de um termo celta associado à ideia de “estreitamento do rio” ou “porta das ondas”

Essa pista linguística reforçava uma suspeita antiga dos pesquisadores: se havia uma estrada romana passando pelo Aare, uma ponte provavelmente existia entre eles (Foto: Gestumblindi / Wikimedia Commons)
Essa pista linguística reforçava uma suspeita antiga dos pesquisadores: se havia uma estrada romana passando pelo Aare, uma ponte provavelmente existia entre eles (Foto: Gestumblindi / Wikimedia Commons)

Mesmo assim, ainda faltava uma prova física. Trechos da estrada já tinham sido encontrados entre Büren an der Aare e Nennigkofen, mas a travessia sobre o rio continuava sem confirmação direta.

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Como a “ponte” sobreviveu por tanto tempo?

A preservação das estacas é considerada incomum. Em 1969, uma grande obra de correção das águas do Jura aprofundou amplas áreas do leito do rio em Solothurn. Esse tipo de ação tende a destruir vestígios antigos, mas as estacas sobreviveram.

Em comunicado, autoridades locais envolvidas na escavação descreveram a sobrevivência dos troncos como “um golpe de sorte”. A água, nesse caso, ajudou a conservar a madeira longe do desgaste comum em terra firme.

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O material não será retirado do rio. A tendência é que as estacas permaneçam submersas, onde continuam mais protegidas contra deterioração.