As redes sociais, o envelhecimento da população e o acesso facilitado a produtos importados colaborou com o crescimento de rotinas de cuidados inspiradas nas coreanas. Ela deixou de ser algo nichado e ganhou os feeds, as prateleiras, os marketplaces e as rotinas de autocuidado em vários países, inclusive no Brasil.

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O fenômeno conhecido como “K-beauty” de mistura ciência cosmética, um marketing digital agressivo, cultura pop (a febre do k-pop e dos doramas exemplificam bem isso) e uma capacidade quase imediata de transformar qualquer coisa em febre mundial.

Hoje, termos como “glass skin”, mucina de caracol, centella asiática e lip tint já fazem parte do vocabulário de milhões de consumidores, mesmo entre pessoas que nunca pesquisaram diretamente sobre beleza coreana.

Coreia do Sul transformou beleza em estratégia global

A expansão da K-beauty acompanha o crescimento do chamado “soft power” sul-coreano — estratégia cultural que também impulsionou o k-pop, os doramas e o cinema do país. O sucesso global de artistas e produções coreanas ajudou a exportar, além do entretenimento, padrões de consumo, estética e hábitos de cuidado pessoal.

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Com isso, a pele luminosa dos idols (astros do k-pop) e atores virou desejo internacional. A estética da “pele saudável” passou a substituir maquiagens pesadas e filtros exagerados, principalmente entre consumidores mais jovens. A estética clean girl, por exemplo, bebe da fonte desta busca por naturalidade saudável.

Segundo relatórios do setor, a Coreia do Sul já se tornou uma das maiores exportadoras de cosméticos do mundo, ultrapassando 10 bilhões de dólares em exportações recentes.

TikTok e o algorítimo que acelerou a globalização

Se antes a K-beauty crescia por blogs especializados e YouTube, hoje o principal motor da explosão global é o TikTok. Vídeos rápidos, transformações visuais e testes imediatos de produtos (com ou sem intenção de vender), são exatamente o tipo de conteúdo que prende e influencia o consumidor. Somado aos ingredientes diferentes, embalagens chamativas e promessas de pele perfeita, os produtos viralizam com facilidade.

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Dados do setor mostram que hashtags ligadas à K-beauty tiveram crescimento explosivo nos últimos anos, impulsionadas principalmente pela geração Z.

Além disso, influenciadores desempenham papel decisivo na aceitação de novos produtos. Um estudo apontou que influenciadores de K-beauty conseguem alterar diretamente a percepção e a disposição de consumidores para experimentar lançamentos cosméticos.

@brunnagoncalves

Viciada nesse mundinho de skincare coreano 🤩

♬ som original – Brunna Gonçalves

A lógica da K-beauty é diferente da beleza ocidental

Outro fator importante é que os produtos coreanos mudaram a forma como o mercado fala sobre beleza. Enquanto muitas marcas ocidentais focavam em maquiagem pesada ou soluções “anti-idade”, a K-beauty apostou em prevenção, hidratação e fortalecimento da barreira da pele. A proposta deixou de ser “corrigir defeitos” e passou a enfatizar saúde, viço e rotina contínua de cuidado — uma forma de atuar na prevenção, antes mesmo que as marcas do envelhecimento apareçam.

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Isso explica o sucesso de produtos como:

  • essências hidratantes;
  • máscaras faciais;
  • séruns calmantes;
  • protetores solares ultraleves;
  • produtos com ativos fermentados;
  • cosméticos híbridos entre maquiagem e tratamento.

A indústria também ficou conhecida por lançar tendências muito antes do restante do mercado. Ingredientes como mucina de caracol, PDRN (“DNA de salmão”) e centella asiática começaram na Coreia do Sul antes de se tornarem febre mundial.

Você provavelmente já consome K-beauty sem perceber

Mesmo quem nunca comprou diretamente uma marca coreana provavelmente já foi impactado pela tendência. Muitas marcas ocidentais passaram a copiar conceitos popularizados pela K-beauty, como:

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  • skincare em várias etapas;
  • foco em glow natural;
  • produtos multifuncionais;
  • bases leves;
  • cosméticos com ativos calmantes.

Segundo especialistas ouvidos pela Vogue, a indústria ocidental começou inclusive a “reembalar” inovações criadas originalmente na Coreia do Sul.