Um carro que percebe o risco antes do motorista e aciona os freios sozinho parece coisa de modelo de luxo, mas essa tecnologia pode ficar cada vez mais próxima dos veículos fabricados no Brasil. Um projeto liderado pelo Senai Pernambuco está desenvolvendo um sensor radar nacional para sistemas avançados de assistência ao motorista, conhecidos pela sigla ADAS.

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A ideia é que o equipamento ajude a viabilizar funções como frenagem automática, assistência de permanência em faixa e outros recursos de segurança veicular em carros produzidos no país. O projeto foi lançado em 10 de junho, no Recife, e será conduzido no Senai Park, em Suape, no litoral pernambucano.

O investimento é de aproximadamente R$ 44 milhões, segundo o Senai-PE. O desenvolvimento do sensor radar nacional está previsto para ocorrer entre 2026 e 2029. Em paralelo, o Senai-PE afirma que a iniciativa prepara o país para a obrigatoriedade dos sistemas ADAS em veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2029, o que dependeria de avanços regulatórios.

Senai Park vai concentrar o desenvolvimento do sensor de radar nacional (SENAI-PE, divulgação)

O que esse sensor faz?

O radar em desenvolvimento funciona como uma espécie de “olho” eletrônico do carro. Ele identifica obstáculos, veículos e a distância em relação ao que está à frente. Em conjunto com câmeras e sistemas eletrônicos, essa leitura ajuda o veículo a calcular se existe risco de colisão.

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Quando o sistema entende que o motorista não reagiu a tempo, a frenagem automática de emergência pode entrar em ação para evitar a batida ou, pelo menos, reduzir a gravidade do impacto. Essa tecnologia já existe em diversos carros vendidos no Brasil, mas ainda costuma aparecer com mais frequência em versões mais caras ou modelos de categorias superiores.

No projeto brasileiro, o radar será desenvolvido com apoio de inteligência artificial, gêmeos digitais e simulações avançadas. Isso permite acelerar testes e validações sem depender apenas de protótipos físicos.

Quais carros já possuem sistemas de segurança parecidos?

Por que desenvolver no Brasil?

Hoje, boa parte dos componentes usados em sistemas ADAS vem de fora. A página oficial do projeto afirma que mais de 90% dos componentes desses sistemas são importados, especialmente radares automotivos, considerados itens de maior complexidade e valor agregado.

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Por isso, a iniciativa tenta reduzir a dependência externa e criar uma cadeia tecnológica local. A proposta envolve montadoras, fornecedores, startups, universidades e institutos de pesquisa, com a meta de desenvolver sensores, testar o sistema em ambiente real e implantar uma planta piloto para produção no Brasil.

Entre os parceiros citados estão Stellantis, Volkswagen, Valeo, TE Connectivity, Krah Group, Tron, ONMotus, Instituto Eldorado, UFPE, UnB e institutos Senai de inovação.

Vai ser obrigatório em 2029?

Esse é o ponto mais importante da história. O Senai-PE afirma que o projeto prepara o país para a obrigatoriedade dos sistemas ADAS em todos os veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2029. Porém, a regra ainda precisa ser tratada com cautela porque aparece vinculada a processo regulatório do Contran.

No Participa + Brasil, há uma consulta pública encerrada sobre uma minuta de resolução que trata da obrigatoriedade do AEBS, sigla em inglês para sistema automático de frenagem de emergência. É a tecnologia que detecta risco de colisão à frente e pode acionar os freios para evitar a batida ou reduzir o impacto. A proposta envolve veículos das categorias M e N: a primeira reúne modelos feitos para transporte de passageiros; a segunda, veículos voltados ao transporte de cargas.

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Dentro dessa classificação, M1 inclui automóveis de passageiros com até oito assentos além do motorista, enquanto N1 abrange veículos de carga com peso de até 3,5 toneladas, como algumas picapes e comerciais leves. A minuta previa aplicação para novos projetos de veículos M1 e N1 a partir de 2026 e para todos os modelos dessas categorias produzidos ou importados a partir de 1º de janeiro de 2029.

Uma mudança parecida com ABS e airbag?

A chegada da frenagem automática pode representar uma virada de segurança comparável à popularização de equipamentos como freios ABS, airbags e controle de estabilidade. A diferença é que, neste caso, o carro não apenas ajuda o motorista depois que ele pisa no freio. Ele pode identificar uma situação crítica e agir quando não há reação humana suficiente.

O sistema não transforma o carro em autônomo, nem substitui a atenção do condutor. A função é atuar como uma camada extra de segurança em situações de risco, principalmente quando há distração, trânsito carregado, frenagens bruscas ou obstáculos inesperados.

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O desafio, agora, é fazer essa tecnologia sair do campo dos modelos mais caros e chegar a uma escala maior. Se o projeto avançar como previsto, o radar nacional pode ajudar a indústria brasileira a entrar em uma nova fase: carros mais inteligentes, menos dependência de componentes importados e uma chance real de reduzir acidentes nas ruas e estradas.