A escola de samba Acadêmicos do Niterói vai levar Lula para a Marquês de Sapucaí. O presidente é o enredo da agremiação em 2026 e abre o Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, no domingo (15).

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O desfile já causa polêmica antes mesmo de acontecer, principalmente pelo fato de ser ano eleitoral. Lula já disse em algumas entrevistas que estará na Sapucaí no dia que será homenageado e o caso já foi parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Acadêmicos de Niterói é a escola que subiu para o Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026. Como sempre acontece, a escola que sobe abre o Carnaval na Sapucaí, fazendo o primeiro desfile. É comum também que a escola que suba, não consiga permanecer no Especial e acabe caindo novamente.

Por isso, a cada ano, os desfiles de quem sobe tentam ousar nos enredos para garantirem uma chance de tentar permanecer no Grupo Especial. Com Lula, a Acadêmicos de Niterói já é assunto antes mesmo de colocar os pés na avenida.

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Entenda o enredo da Acadêmicos de Niterói

Essa história começa no agreste de Pernambuco, numa terra seca, iluminada pela lua e embalada pelo som do rádio tocando Luiz Gonzaga. Ali vivia Dona Lindu com seus filhos. Um deles era um menino chamado Luiz Inácio, que gostava de subir no pé de mulungu perto de casa para olhar o mundo de cima e imaginar um futuro melhor.

A infância era dura. Faltava comida, faltava água, faltava quase tudo. Para explicar a dor e o medo, surgiam histórias de assombração, de almas penadas e de bichos encantados. Era o jeito daquele povo de lidar com a vida difícil e com a morte sempre por perto. Mesmo assim, havia brincadeira, havia afeto e havia esperança.

Quando a seca apertou de vez, não restou escolha. Em 1952, Dona Lindu reuniu os filhos, amarrou as poucas coisas numa trouxa e partiu. Foram 13 dias e 13 noites num pau de arara, atravessando estradas empoeiradas rumo a São Paulo. Para aquela família, a cidade grande parecia a terra prometida.

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São Paulo, porém, mostrou rápido que nem todos eram iguais debaixo do mesmo sol. Luiz Inácio cresceu trabalhando cedo, como tantos outros migrantes nordestinos. A vida começou a mudar quando ele conseguiu se formar no Senai e virou torneiro mecânico. Vestir o macacão passou a ser motivo de orgulho. Ele se sentia um artista, capaz de transformar o ferro bruto em coisa útil.

Mas os tempos eram de ditadura. O movimento operário era perseguido, greves eram reprimidas, e lideranças eram vigiadas. Mesmo assim, Lula entrou para o sindicato. Descobriu ali sua voz, sua força e sua capacidade de falar por muitos. Entre lutas, perdas pessoais e a morte de Dona Lindu, o sindicato virou também um lugar de acolhimento.

No fim dos anos 1970, Lula já era uma liderança nacional. Organizou greves históricas no ABC paulista e ajudou a criar um partido feito por trabalhadores, algo inédito no Brasil. Da fábrica, ele seguiu para a política.

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Depois de muitas tentativas, foi eleito presidente da República. Chegou ao Palácio do Planalto carregando consigo a promessa feita lá atrás, no agreste: cuidar dos mais pobres.

É essa trajetória que a Acadêmicos de Niterói leva para a Avenida. A história de um menino que sonhava do alto de um mulungu, virou operário, líder e presidente.

Letra do samba que homenageia Lula

Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa Avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!

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Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de Luiz, à luz de Garanhuns
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns
Me via nos olhares dos meus filhos
Assombrados e vazios com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um sol da pátria incessante
Pro destino retirante te levei, Luiz Inácio
Por ironia, 13 noites, 13 dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial

Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva

Lute pra vencer, aceite se perder
Se o ideal valer, nunca desista
Não é digno fugir, nem tão pouco permitir
Leiloarem isso aqui a prazo, à vista
É… tem filho de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia
É… teu legado é espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Assim que se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia

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Quanto custa a fome? Quanto importa a vida?
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo