Desde o último domingo (8), Bad Bunny não é só o cantor mais escutado do mundo, como também é o assunto mais repercutido nas redes sociais, após o show no Super Bowl. O cantor deixou um verdadeiro “gostinho de quero mais”, tanto na música, quanto na história do lugar de onde veio, Porto Rico.
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Durante sua apresentação, o cantor porto-riquenho usou a bandeira do país para fazer uma manifestação política. No entanto, a cor da bandeira chamou atenção por ter um tom de azul claro, diferente da bandeira conhecida mundialmente que usa o mesmo tom de azul da bandeira dos Estados Unidos.
Isso pode ser explicado pela história de Porto Rico, que não é um país independente. Muita gente não sabe, mas o lugar é um território não incorporado dos Estados Unidos e isso já acontece há mais de um século.
Qual o significado do azul claro na bandeira de Porto Rico usada pro Bad Bunny
Em 1948, o Senado porto-riquenho aprovou a Ley de la Mordaza (ou “Lei da Mordaça”), que tornava crime a posse ou exibição da bandeira porto-riquenha, a produção de textos pró-independência e até mesmo a associação com simpatizantes do movimento. Revogada apenas nove anos depois, a lei deixou um rastro de repressão, violência e mortes.
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Bad Bunny faz referência a esse período na música La Mudanza quando canta:
Aquí mataron gente por sacar la bandera,
Por eso es que ahora yo la llevo donde quiera.
(Aqui mataram pessoas por erguer a bandeira,
Por isso eu a levo comigo para onde for.)
A bandeira em questão não é a versão oficial aprovada pelo governo em 1995, mas sim a variação azul-clara, historicamente associada ao movimento pró-independência. A versão com o mesmo tom de azul dos Estados Unidos foi mudada posteriormente pelo país norte-americano para combinar sua bandeira. Por causa disso, o azul claro tornou-se associado à independência e ao anticolonialismo de Porto Rico.
O tom mais claro remete à bandeira revolucionária da cidade de Lares, usada durante a Revolta do Grito de Lares em 1868 contra o domínio espanhol. Desde então, o dia 23 de setembro, data da revolta, tornou-se um marco simbólico para os defensores da independência porto-riquenha.
Porto Rico é um território não incorporado dos Estados Unidos
Em 1493, Cristóvão Colombo chegou a Porto Rico e reinvidicou a ilha, localizada especificamente no nordeste do Mar do Caribe, para a Espanha. O território antes era ocupado pelo povo Taíno e se chamava Borinquen. Foi pelos espanhóis que ganhou o nome de Porto Rico, porque era da ilha que saíam as riquezas direto para a metrópole espanhola.
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Porto Rico era como se fosse um portão para o oceano e, dali pra frente, foram quatro séculos de colonização espanhola. Até que, em 1898, a Guerra Hispano-Americana mudou o destino da ilha. Com o Tratado de Paris, os Estados Unidos passaram a administrar o território.
Desde então, Porto Rico é um terrtório não incorporado dos EUA. A ilha tem constituição própria, mas áreas como defesa, imigração e alfândega são administradas pelos Estados Unidos. Por exemplo, para visitar o país, é preciso ter o visto de turismo para os EUA.
Todo aquele que nasce que em Porto Rico tem direito a cidadania e podem circular livremente pelos Estados Unidos. No entanto, os porto-riquenhos não têm presidente e também não têm o direito de votar nas eleições do país, o que torna complicada a relação entre os dois lugares.
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Em Porto Rico, há quem defenda que a ilha deveria se tornar o 51º estado norte-americano, como aconteceu com o Havaí, em 1959. Essas pessoas acreditam que seria melhor para o país. Já outros defendem a independência de Porto Rico, preocupados com a perda da cultura e identidade de porto-riquenhos.
*Sob supervisão de Pablo Brito
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