Carro elétrico costuma ser vendido com uma promessa tentadora: menos peças, menos manutenção e menos gastos no dia a dia. Sem óleo de motor, correia dentada, velas, escapamento e tantos componentes típicos dos carros a combustão, a conta realmente tende a ser mais simples. Mas isso não significa que manter um elétrico seja de graça.

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Depois de três anos de uso, modelos como BYD Dolphin, GWM Ora 03 e Volvo EX30 começam a mostrar melhor o custo real de propriedade. A economia com combustível e manutenção mecânica continua sendo um ponto forte, mas entram no cálculo revisões obrigatórias, pneus, seguro, desvalorização, recarga, garantia e eventuais reparos em componentes eletrônicos.

A boa notícia é que os elétricos exigem menos trocas periódicas do que carros a gasolina, flex ou híbridos. Por outro lado, alguns itens podem custar caro quando aparecem: pneus específicos, peças de acabamento, componentes eletrônicos, seguro e reparos fora da garantia podem pesar bastante no bolso.

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O que muda na manutenção de um elétrico

A principal diferença está no conjunto mecânico. Um carro elétrico não tem motor a combustão, câmbio tradicional, sistema de escapamento, óleo lubrificante do motor, filtro de óleo, correias ou velas. Isso reduz a quantidade de itens sujeitos a desgaste e simplifica as revisões.

Nas manutenções periódicas, a checagem costuma envolver sistema de freios, suspensão, pneus, filtros de cabine, fluido de freio, sistema de arrefecimento da bateria, conectores, softwares, cabos de alta tensão e diagnóstico eletrônico.

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Outro ponto positivo é que os freios tendem a durar mais. Isso acontece porque muitos elétricos usam frenagem regenerativa, sistema que recupera energia nas desacelerações e reduz o uso das pastilhas e discos no trânsito urbano.

Mas há um contraponto: como os elétricos são mais pesados por causa da bateria e entregam torque imediato, os pneus podem sofrer mais, especialmente se o motorista acelerar forte com frequência. Em alguns casos, esse pode ser um dos principais gastos depois de alguns anos.

Quanto custam as revisões de carros elétricos?

Entre os três modelos, os custos programados de revisão mostram uma das principais vantagens dos elétricos. No BYD Dolphin, o plano de manutenção prevê revisões a cada 12 meses ou 20 mil km. Até os 60 mil km, o gasto informado é de R$ 2.078: R$ 393 na revisão de 20 mil km, R$ 1.292 na de 40 mil km e R$ 393 na de 60 mil km.

No Volvo EX30, o plano é ainda mais espaçado. As revisões são previstas a cada 30 mil km ou 24 meses. A primeira, de 30 mil km, é gratuita. A segunda, de 60 mil km, custa R$ 849. Com isso, até os 60 mil km, o proprietário desembolsa menos de R$ 1 mil em revisões programadas.

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No caso do GWM Ora 03, a marca informa que a primeira revisão programada deve ser feita em 24 meses ou 24 mil km, o que ocorrer primeiro. As revisões seguintes seguem o mesmo intervalo, a cada 24 meses ou 24 mil km. A GWM diz que os valores incluem peças e mão de obra previstas no plano, mas os preços podem ser alterados e devem ser confirmados na concessionária autorizada.

Esses valores, porém, são apenas das revisões programadas. Eles não incluem pneus, seguro, alinhamento, balanceamento, reparos por colisão, peças fora da garantia, instalação de carregador residencial ou eventuais danos em componentes eletrônicos.

BYD Dolphin: revisão barata, mas rede e peças entram na conta

O BYD Dolphin foi um dos carros que ajudaram a popularizar os elétricos no Brasil. Depois de três anos de uso, o custo de manutenção tende a ser baixo em comparação com um carro a combustão equivalente, principalmente porque as revisões têm menos itens de troca.

O plano de manutenção prevê paradas a cada 12 meses ou 20 mil km. Até os 60 mil km, o custo programado é de R$ 2.078. O valor chama atenção porque, em três anos de uso moderado, a conta de revisão pode ficar concentrada em inspeções, filtros, fluido de freio, checagens do sistema elétrico e eventuais itens de desgaste.

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O ponto de atenção está menos na revisão básica e mais no custo de peças em caso de batida, danos em componentes eletrônicos ou necessidade de reparo fora da garantia. Como a BYD cresceu rapidamente no Brasil, a disponibilidade de peças e a capilaridade da rede ainda são fatores que o consumidor deve observar.

Também é importante acompanhar a garantia da bateria. Em elétricos, a bateria de tração é o componente mais caro do carro. Mesmo que a troca completa seja rara nos primeiros anos, a cobertura contratual faz diferença no valor de revenda e na tranquilidade do comprador de um usado.

GWM Ora 03: intervalo maior ajuda, mas valor deve ser confirmado

O GWM Ora 03 tem uma vantagem importante para quem olha o custo de manutenção: a primeira revisão programada deve ser feita em 24 meses ou 24 mil km, o que ocorrer primeiro. Depois disso, as revisões seguem o mesmo intervalo.

Isso significa que, em três anos de uso, dependendo da quilometragem rodada, o proprietário pode ter feito apenas uma revisão obrigatória. Para quem roda pouco, esse intervalo maior ajuda a reduzir o custo anual de manutenção.

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O Ora 03 também segue a lógica dos elétricos compactos: menos itens mecânicos para trocar, manutenção preventiva mais simples e foco em inspeções eletrônicas, freios, suspensão, pneus, filtros e sistema de alta tensão.

O cuidado, de novo, está nos gastos fora da revisão. Pneus, seguro, peças de acabamento e reparos de funilaria podem pesar. Além disso, como o modelo ainda é relativamente novo no mercado brasileiro, o comportamento de desvalorização e custo de peças no longo prazo ainda precisa ser acompanhado.

Volvo EX30: revisão barata, custo de marca premium

O Volvo EX30 entrou no mercado como um dos elétricos premium mais competitivos em preço, mas continua sendo um Volvo. Isso quer dizer que a manutenção periódica pode ser mais simples do que em um carro a combustão da marca, mas peças, seguro, pneus e reparos ainda carregam custo de categoria superior.

Nas revisões, o EX30 surpreende. O plano prevê paradas a cada 30 mil km ou 24 meses. A primeira revisão, de 30 mil km, é gratuita. A segunda, de 60 mil km, custa R$ 849. Em manutenção programada, portanto, a conta até 60 mil km fica abaixo da de muitos carros a combustão mais baratos.

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O ponto central é que o custo de propriedade de um EX30 não deve ser comparado apenas ao de um hatch elétrico chinês mais barato. Seguro, pneus, rodas, faróis, sensores, câmeras, acabamento e peças de carroceria podem custar mais. Em caso de colisão, por exemplo, o gasto pode ser bem diferente do que o proprietário teria em um elétrico compacto de entrada.

A favor do EX30 está a garantia longa para a bateria de tração, um dos componentes mais caros de qualquer elétrico. Essa cobertura ajuda a reduzir o medo de uma conta gigantesca nos primeiros anos, mas não elimina a necessidade de seguir as revisões e condições previstas pela marca.