Considerados os guardiões do Himalaia, a mais alta cadeia montanhosa do mundo, os Sherpas formam uma sociedade rica em misticismo e dotada de uma biologia única, que permite que eles suportem altitudes que passam dos 4 mil metros, onde o ar é rarefeito e as temperaturas despencam para até 50°C negativos.
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O que são os Sherpas e nomes que fizeram história
Historicamente, o termo Sherpa se traduz como “povo do leste”, fazendo menção direta à região de Khams, no Tibete Oriental, de onde são originários. No século XV, esses grupos essencialmente nômades cruzaram as fronteiras e se estabeleceram no distrito nepalês de Solu-Khumbu, margeado pelo rio Sun Kosi.
Atualmente, os shrpas são a base e servem de guias Sherpa para auxiliar montanhistas interessados em escalar o Everest. Eles fazem o trabalho logístico de guiar e prepara a montanha, fazendo a abertura das rotas, assim como cuidam do transporte de equipamentos como cilindros de oxigênio, água e comida para grupos em expedição. Além disso, eles ajudam a garantir a segurança de quem vai subir o Everest.
Nas últimas décadas, diversos integrantes do povo shrpa ganharam notoriedade no montanhismo:
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- Tenzing Norgay: Entrou para a história em 29 de maio de 1953 ao se tornar, junto ao neozelandês Edmund Hillary, um dos dois primeiros homens a pisar no topo do mundo.
- Lakpa Sherpa: Pioneira ao escalar e descer o Everest no ano 2000, ela consolidou o recorde mundial feminino de ascensões ao atingir o cume pela décima vez, aos 49 anos de idade.
- Babu Chiri: Ficou conhecido por permanecer 21 horas seguidas no topo do Everest sem o auxílio de oxigênio artificial e completou a subida mais rápida da história em pouco menos de 17 horas. Ele faleceu durante sua 11ª expedição.
- Pem Dorjee e Moni Mulepati: Quebraram protocolos tradicionais ao realizarem o primeiro casamento celebrado no topo do Monte Everest, em maio de 2005.
Como sherpas aguentam altitude
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Cambridge sequenciou o DNA dessa população e identificou uma adaptação evolutiva que permite que o organismo opere com níveis reduzidos de oxidação de gordura e uma quantidade menor de glóbulos vermelhos no sangue.
Segundo os pesquisadores, essa alteração faz com que o sangue dos sherpas tenha menos glóbulos vermelhos nas alturas, mas produz mais óxdo nítrico, um composto químico que dilata os vasos e mantém o sangue fluindo livremente.
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De acordo com o Sherpa Adventure Gear, estudos genômicos focados na estrutura dos clãs comprovaram que indivíduos do mesmo Ru carregam haplótipos idênticos no cromossomo Y, evidenciando que a população atual descende de um núcleo curtíssimo de ancestrais que deram origem ao povo.
Fé e vestes sagradas
O povo Sherpa é profundamente ligado ao budismo tibetano, especificamente à ramificação Nyingma. A sede espiritual dessa comunidade é no Mosteiro de Rongphu (ou Rongbuk), a mais de 4 mil metros de altitude na face norte do Everest.
O cotidiano das vilas é pontuado pelas orientações dos lamas, que são monges budistas voltados à meditação e ao isolamento espiritual, e pela atuação de xamãs, que gerenciam a conexão dos moradores com o mundo sobrenatural. Celebrações como o Losar, o Dumje e o Mani Rimdu reúnem as comunidades em rituais coletivos de prosperidade que duram vários dias.
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Essa identidade visual se reflete em roupas de cores vibrantes e enquanto os homens usam pesados mantos de lã conhecidos como Bakhu e casacos protetores chamados Tetung, as mulheres vestem o tradicional Tongkok. Mulheres também utilizam aventais, com a separação do modelo listrado (Matil) adornando os trajes femininos em geral e a peça frontal (Pangden) sendo um símbolo de uso exclusivo das mulheres casadas.
*Com informações de Sherpa Adventure Gear





