A rã-touro (Aquarana catesbeiana) encontrada no Sul do Brasil é uma espécie exótica que já é estudada há alguns anos no país. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já realizaram uma ampla análise genética das populações de rã-touro no Brasil.
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No estudo, publicado em 2022 na Scientific Reports, os cientistas chegaram à conclusão de que há duas populações da espécie no Brasil, presentes em ranários e também que já invadiram o ecossistema local.
Para os pesquisadores, uma das populações descende de animais da espécie que foram introduzidos no Brasil e habitam, principalmente, o Sul e o Sudeste. A outra estaria restrita a Minas Gerais e em menor número nos outros Estados.
A rã-touro foi introduzida no Brasil pela primeira vez em 1935, no Rio de Janeiro, para a produção de carne. Nativa da América do Norte, passou a ser criado nos estados das regiões Sul e Sudeste. Acabou se espalhando pela natureza, causando impacto nos ecossistemas locais.
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São anfíbios grandes, podendo atingir 20 centímetros. Possuem a coloração dorsal em tons de verde claro a oliva com manchas irregulares em verde escuro ou marrom. O ventre é amarelo fraco, os olhos protuberantes e a membrana interdigital nos dedos das patas posteriores.
“Nossos resultados mostram que as rãs invasoras e de cativeiro são indistinguíveis geneticamente, reforçando a importância da prevenção dos escapes dos ranários”, afirma Taran Grant, professor do IB-USP apoiado pela FAPESP, que coordenou o estudo.
Os riscos e danos causados pela rã-touro
A rã-touro compete com espécies nativas por recursos naturais como o alimento. É um predador voraz e se alimenta de outros sapos, cobras, aves e até pequenos mamíferos. Com o canto grave, que parece um mugido, podem atrapalhar também a reprodução das outras espécies de anfíbios nativos.
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O problema ambiental mais grave documentado, segundo o estudo, é a transmissão de doenças. “Como se espalhou pela Mata Atlântica, do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, a rã-touro tem causado vários impactos na fauna nativa. O principal, porém, se deve ao fato de ela carregar o fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis) e o ranavírus, dois patógenos que os anfíbios nativos não têm resistência como ela e que já causaram até extinções de espécies”, conta Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp apoiado pela FAPESP e um dos coautores do estudo.
O fungo quitrídio causa a quitridiomicose quando se instala na pele dos anfíbios e interfere nas trocas gasosas feitas pelo órgão, podendo levar a paradas cardíacas, seguidas de óbito do animal. O patógeno já dizimou populações de ao menos 501 espécies de anfíbios no mundo
Quem encontra uma espécie de rã-touro na natureza ou ouve o som característico não deve fazer o manejo do animal por conta própria e precisa informar ao órgão de proteção do meio ambiente da cidade para que sejam feitos os procedimentos corretos.
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