A renda média dos brasileiros alcançou o maior nível da série histórica em 2025, mas o avanço dos rendimentos não foi acompanhado por uma redução da desigualdade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os ganhos foram mais expressivos entre as famílias de maior renda, ampliando a concentração de recursos no topo da distribuição. O movimento aparece no índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, principal indicador de desigualdade do país. O índice subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior é a concentração de renda.
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FOTOS: O Brasil ficou mais rico, mas a desigualdade voltou a crescer
Bolso cheio, mas para quem? Renda média dos brasileiros atinge ápice histórico
Segundo o IBGE, a renda domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 em 2025, valor 6,9% superior ao registrado no ano anterior e o maior já apurado pela pesquisa. O resultado reflete a melhora dos rendimentos das famílias, impulsionada principalmente pelo mercado de trabalho e por outras fontes de renda. Apesar do avanço, os ganhos não foram distribuídos de forma homogênea entre os diferentes grupos da população.
Ganhos se concentraram no topo da pirâmide
Os dados mostram que os 10% mais ricos tiveram aumento médio de 8,7% nos rendimentos ao longo de 2025, alcançando renda média de R$ 9.117 por pessoa. Entre os 10% mais pobres, a alta foi de 3,1%, abaixo da média nacional. A diferença indica que os grupos de renda mais elevada capturaram uma parcela maior do crescimento observado no período.
A distância que cresceu entre a base e o topo social
A desigualdade também aparece na comparação entre os extremos da distribuição. Em 2025, os 10% mais ricos passaram a receber, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres da população. No ano anterior, essa relação era de 13,2 vezes. O aumento interrompe a trajetória recente de redução da desigualdade observada após os anos mais críticos da pandemia.
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A parcela da renda total que migrou para os mais ricos
Outro indicador reforça a concentração dos ganhos. A fatia da renda nacional apropriada pelos 10% mais ricos subiu de 39,6% para 40,3% em apenas um ano. Embora a renda total tenha crescido, uma parcela maior desse avanço ficou concentrada entre as famílias de maior poder aquisitivo, ampliando a distância em relação aos grupos de menor renda.
A desigualdade atual ainda é menor que a de 2019
Apesar da piora registrada em 2025, os indicadores permanecem em patamar inferior ao observado antes da pandemia. Em 2019, o índice de Gini havia alcançado 0,543, nível superior ao atual. Os números mostram que o país ainda mantém parte dos avanços obtidos nos últimos anos, mas indicam uma interrupção no processo recente de redução das desigualdades.
Os bastidores da pesquisa
Os resultados do IBGE revelam que o crescimento da renda média não garante, por si só, uma distribuição mais equilibrada dos ganhos econômicos. Em 2025, a melhora dos rendimentos foi acompanhada por um aumento da concentração de renda, com benefícios mais expressivos para as camadas de maior poder aquisitivo. O cenário reforça o desafio em combinar expansão da renda com mecanismos capazes de ampliar os ganhos entre os grupos de menor renda, reduzindo as diferenças econômicas entre os brasileiros.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.











