Localizado no sertão do Ceará, a cerca de 225 km de Fortaleza, existe um município que desafia a lógica comum das cidades do interior nordestino. Jaguaribara é um destino que nasceu duas vezes.

Continua depois da publicidade

A antiga sede, erguida ainda no século 17 às margens do Rio Jaguaribe, hoje repousa sob as águas do Açude Castanhão, o maior reservatório multiuso da América Latina.

Em 1985, o anúncio da construção do Castanhão selou o destino da velha cidade: para garantir o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza e controlar as enchentes no Vale do Jaguaribe, Jaguaribara precisaria ser inundada.

O êxodo e o planejamento

Entre os anos de 2000 e 2001, cerca de 8 mil moradores deixaram suas casas para trás. No entanto, ao contrário de muitos reassentamentos, a Nova Jaguaribara foi planejada em conjunto com a população. Inaugurada em 25 de setembro de 2001, a cidade impressiona quem a visita pela primeira vez.

Continua depois da publicidade

Diferente do traçado orgânico e muitas vezes apertado das cidades centenárias do sertão, Jaguaribara exibe ruas largas, praças amplas e uma organização urbana incomum para a região.

É uma cidade projetada, e desta forma possui 100% de rede de esgoto e energia elétrica, com estrutura para comportar até 70 mil habitantes. Hoje, abriga cerca de 10 mil.

Economia e o turismo das ruínas

A relação com a água continua sendo o motor do município. A economia local se reinventou com a piscicultura, tornando-se uma das maiores produtoras de tilápia do Nordeste.

Continua depois da publicidade

Para o turista, o cenário é de contrastes. O imenso espelho d’água do Castanhão divide espaço com a paisagem típica do semiárido.

Um dos maiores atrativos ocorre justamente nos períodos de seca: quando o nível do açude baixa, as ruínas da antiga cidade começam a reaparecer, criando um cenário de “cidade fantasma” que atrai curiosos e fotógrafos.

Guia rápido para o visitante

  • Melhor época: De janeiro a maio, as chuvas deixam a paisagem verde e o açude cheio. Já de agosto a dezembro, o clima seco é ideal para a pesca esportiva e para observar as ruínas que emergem das águas.
  • Como chegar: O acesso principal partindo de Fortaleza é pela BR-116, em uma viagem de aproximadamente 3 horas de carro. Também há linhas de ônibus saindo da capital cearense.
  • O que esperar: Um clima de interior acolhedor, mas com uma infraestrutura urbana moderna que contrasta com a história submersa que a cidade carrega.

Continua depois da publicidade

Leia também

Missão na Antártida perfura 523 metros de gelo e recupera registro de 23 milhões de anos

Stephen Hawking previu Terra como “bola de fogo” até 2600 e defendeu colonização espacial