Celebrada anualmente em 22 de maio, Santa Rita de Cássia é mundialmente conhecida pelos católicos como a padroeira das causas impossíveis. No entanto, por trás da figura venerada nos altares, há a história de uma mulher nascida no final do século 14, que teve a vida marcada por perdas familiares, resiliência e relatos de eventos extraordinários.

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Nascida por volta de 1381 na pequena aldeia de Roccaporena, na província de Perugia (Itália), Rita era filha de Antonio Lotti e Camata Ferri, trabalhadores rurais de origem humilde. Desde a infância, sua biografia é cercada por lendas.

A tradição católica relata que, ainda bebê, enquanto dormia em um cesto na roça, foi cercada por um enxame de abelhas. Em vez de picá-la, os insetos a sobrevoaram pacificamente. Um camponês que passava pelo local, com a mão gravemente ferida por uma enxada, teria tentado afastar as abelhas e, ao mover os braços, viu sua ferida cicatrizar instantaneamente.

Casamento conturbado e luto

Embora tivesse o desejo de seguir a vida monástica, forma de consagração religiosa caracterizada pelo afastamento do convívio secular em prol de uma rotina dedicada à oração, ao silêncio e ao recolhimento, os costumes da época a levaram para outro destino. Aos 13 anos, Rita foi prometida em casamento a Paulo Ferdinando Mancini, um oficial militar com quem ia se casar por volta dos 17 anos.

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Registros históricos apontam que Mancini possuía um temperamento violento e imprevisível. Durante o matrimônio, no entanto, relatos indicam que a paciência e a postura pacífica de Rita teriam influenciado o marido a mudar de comportamento. O casal teve filhos gêmeos: Giangiacomo Antonio e Paulo Maria.

A paz familiar foi interrompida quando Paulo Mancini foi assassinado em decorrência de antigas desavenças. O luto de Rita foi agravado pela descoberta de que seus dois filhos planejavam vingar a morte do pai.

Segundo a igreja, temendo que os jovens cometessem o pecado do homicídio, ela orou pedindo que Deus os levasse antes de consumarem a vingança. Pouco tempo depois, os filhos adoeceram e morreram.

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A entrada no convento e o milagre da rosa

Sozinha, Rita buscou refúgio na fé e tentou ingressar no Convento Agostiniano de Cássia. Inicialmente rejeitada por sua condição de viúva de um homem assassinado, ela só foi aceita, segundo a tradição, após intervenções milagrosas que os devotos atribuem a São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino. Sua entrada na ordem religiosa ocorreu por volta de 1441.

Como monja, levou uma vida de extrema penitência e reclusão. Nos últimos 15 anos de vida, relatos católicos descrevem que Rita recebeu um “estigma” na testa, uma lesão, de forte odor, que a forçou a viver isolada das demais religiosas até seus últimos dias.

Antes de falecer, acamada durante um inverno rigoroso europeu, Rita teria pedido a uma parente que lhe trouxesse uma rosa de seu antigo jardim em Roccaporena. Apesar da neve e do frio extremo, a parente encontrou uma rosa vermelha desabrochada e a levou até o mosteiro. O episódio eternizou Rita como a “Santa da Rosa”.

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Ela faleceu em 22 de maio de 1447. Seu processo de reconhecimento pela Igreja Católica foi longo: a beatificação ocorreu 180 anos após sua morte, e a canonização oficial apenas 453 anos depois.

Oração de Santa Rita de Cássia

Ó Poderosa e Gloriosa Santa Rita de Cássia, eis, a vossos pés, uma alma desamparada que, necessitando de auxílio, a vós recorre com a doce esperança de ser atendida por vós que tem o título de Santa dos casos impossíveis e desesperados. Ó cara Santa, interessai-vos pela minha causa, intercedei junto a Deus para que me conceda a graça, de que tanto necessito, (fazer o pedido). Não permitais que tenha de me afastar de vossos pés sem ser atendido. Se houver em mim algum obstáculo que impeça de alcançar a graça que imploro, auxiliai-me para que o afaste. Envolvei o meu pedido em vossos preciosos méritos e apresentai-o a vosso celeste esposo, Jesus, em união com a vossa prece. Ó Santa Rita, eu ponho em vós toda a minha confiança. Por vosso intermédio, espero tranquilamente a graça que vos peço. Santa Rita, advogada dos impossíveis, rogai por nós.

* Com informações de CNBB