Um término quebra com nossa narrativa interna e, segundo profissionais da psicologia, a criatividade pode ser um caminho para o cérebro se reconstruir. Isso porque a rede cerebral por trás da memória e da autorreflexão é a mesma que ativamos quando criamos algo.

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Você já parou para pensar como e quando foram escritas aquelas músicas de amor mais lindas e emocionantes que já ouviu? Aquele livro ou poema que transparece toda dor de um sofrimento por amor e que parece ter saído tão facilmente da mente de artistas?

Desde muito tempo, os humanos expressam suas dores através da arte e da criatividade. Canções da antinguidade mostram isso. Pinturas e esculturas também. A própria arquitetura reflete épocas da sociedade.

E isso vale para quem não cria também. Se você ja cantou aquela música sofrida bem alto depois de terminar um namoro ou escreveu seus pensamentos em um post de rede social, de alguma forma, você também está se envolvendo em um processo criativo em busca de significado para a vida.

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Construção de significado

Quando estamos em um relacionamento criamos uma nova narrativa para nossas vidas. O término bagunça toda essa linha narrativa e causa desordem no pensamento, provocando o sofrimento.

Segundo a pesquisadora em neuropsicologia na Harvard Medical School, Elizabeth Mateer, estamos o tempo todo construindo significados para nossas vidas. Essa é uma forma que temos de atualizar conceitos sobre nós mesmos e sobre os outros.

Uma traição, um fim de namoro, ou qualquer outro tipo de evento traumático, faz com que a história que contamos sobre nós mesmos se perca. O que você acreditava ser deixa de existir. Isso faz com que o sofrimento venha e o cérebro procure insistentemente por ordem. Nosso cérebro gosta de ordem.

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A hora em que a criatividade ajuda

É nessa busca por ordem e significados que a criatividade ajuda. Quando utilizamos a dor para se expressar, seja da forma que for, estamos fazendo algo que o cérebro gosta muito: organizar fatos e pensamentos e dar sentido para cada um deles.

Segundo Elizabeth, a memória não é um arquivo fixo. O cérebro codifica e recupera experiências, reforçando certos padrões ao longo do tempo, mas a criatividade pode reconfigurar esses padrões.

Além disso, a pesquisadora diz que quando criamos, não estamos gerando algo do nada. Estamos reorganizando o que já existe, revisitando material carregado de emoção e inserindo-o em um novo contexto.

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Deixe o pensamento e criatividade fluir

Por isso, da próxima vez que você passar por um sofrimento ou estiver vivendo um agora, e sentir vontade de escrever sobre isso, de pintar, de desenhar, de ouvir aquela música repetidamente, faça isso acontecer. É apenas seu cérebro tentando organizar e integrar as informações da sua vida novamente.

A criatividade ajuda o cérebro a restaurar a coerência da narrativa das nossas vidas e isso, para Elizabeth Mateer, é um das nossas características mais humanas.