A bactéria Acinetobacter baumannii encontrada em amostras de água de quatro pontos de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, é considerada uma “superbactéria“. Os pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificaram a presença da bactéria em amostras isoladas, coletadas no Lago Guaíba. Em uma delas, recolhida na Estação de Bombeamento de Água Pluvial (EBAP) do bairro Menino Deus, a bactéria se mostrou imune a 14 antibióticos testados, medicamentos fundamentais no combate a infecções graves.
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A divulgação acontece logo depois da bacteria A. baumannii, foi recentemente associada a um surto na UTI neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, que causou a morte de um bebê prematuro. Ainda não há confirmação de que as cepas das amostras e do surto hospitalar são as mesmas, mas segundo os pesquisadores serve como alerta e que, provavelmente, a transmissão para o hospital não ocorreu pela água do Guaíba.
Onde a bactéria foi encontrada
O levantamento integra os projetos ClimaRes WaSH e CLIMASANO, desenvolvidos no Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, que monitoram a resistência antimicrobiana em águas urbanas. A bactéria foi detectada em:
- Praia do Lami, na Zona Sul de Porto Alegre
- Praia de Ipanema, também na Zona Sul
- Foz do Arroio Dilúvio, próximo ao bairro Praia de Belas, região central
- Próximo à EBAP Menino Deus, na região central da capital
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A água que chega às torneiras é segura?
Segundo o Departamento Municipal de Água e Esgotoso (DMAE) a descoberta das bactérias não afeta a água tratada distribuída para a população de Porto Alegre. O departamento diz que as amostrar foram coletadas em ambientes naturais, não havendo qualquer traço das bactérias na água que passa pelo processo de tratamento e que chega nas residências.
A autarquia reforça que a água distribuída passa por desinfecção rigorosa e controle de qualidade contínuo, o que elimina a presença desse tipo de microrganismo.
“O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) reitera que a água de Porto Alegre é submetida a rigorosos processos de tratamento e controle de qualidade antes de ser distribuída à população. Informações coletadas em ambientes naturais, portanto, não podem ser relacionadas ao produto que chega às torneiras.
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O Dmae realiza, diariamente, mais de 2,4 mil análises da água na Capital. Amostras são recolhidas no manancial, onde a água bruta é captada; em todas as etapas do processo de tratamento; e em centenas de pontos estratégicos do sistema de distribuição. Com isso, o Departamento garante a qualidade, segurança e potabilidade de todo o volume de água tratado em Porto Alegre.“
Qual o risco real para a população?
A Acinetobacter baumannii é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em relatório de 2024, como uma das bactérias mais perigosas do planeta, justamente por sua capacidade de resistência a múltiplos antibióticos. Os critérios da classificação incluem índices de transmissibilidade, taxa de mortalidade, dificuldade de tratamento e impacto nos sistemas de saúde.
Apesar disso, os pesquisadores da UFRGS reforçam que se trata de um patógeno oportunista: oferece risco real principalmente para pessoas com baixa imunidade ou em ambientes hospitalares, onde pode causar pneumonias, infecções sanguíneas e complicações em feridas cirúrgicas.
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