A safra da tainha é considerada positiva para o setor pesqueiro de Santa Catarina até o momento, com um elevado número de cardumes desde 1° de maio, quando se iniciou a permissão para a atividade em 2026. Laurentino Benedito Neves, subsecretário de pesca, maricultura e agricultura de Florianópolis e que comanda o Rancho Saragaço, na Barra da Lagoa, classifica o período como uma “supersafra”.
Continua depois da publicidade
— Está sendo uma supersafra, com a pesca bem adiantada, na verdade. A venda está sendo feita na praia mesmo, para a comunidade e pequenas pescarias. Mas, quando se trata de grande quantidade, precisamos vender para a indústria, que paga um preço bem baixo, dificultando para os pescadores — relatou Laurentino ao NSC Total.
O pescador afirmou que, mesmo com 30 toneladas de tainhas pescadas em seu rancho até o momento, os peixes não foram descartados. Ele declarou que os pescadores “não vão deixar isso acontecer”.
Quanto aos valores de venda, o subsecretário de pesca afirmou que, na comunidade, o valor é de R$ 8 a R$ 10 o quilo, mas o preço para a indústria acaba sendo menor.
— A comunidade, ao pagar, entende que o pescador também precisa. A indústria não está nem aí. Eles vêm aqui e querem pagar de R$ 2 a R$ 3 o quilo — concluiu.
Continua depois da publicidade
Segundo ele, os valores no ano passado eram maiores, visto que a safra foi mais fraca. Os valores pagos pela indústria chegavam a R$ 10.
O que explica a safra da tainha estar acima do esperado pelos pescadores?
Caio Magnotti, doutor em aquicultura e engenheiro de aquicultura do Laboratório de de Piscicultura Marinha da Universidade Federal de Santa Catarina (Lapmar/UFSC), afirma que não é possível definir, neste momento, o que gerou a presença massiva de tainhas em Santa Catarina. No entanto, o pesquisador apontou a formação de dois ciclones como uma hipótese.
— Tivemos dois ciclones extratropicais na Argentina, onde os cardumes se adensam, na região da Lagoa dos Patos e na saída do Rio da Prata. Então, provavelmente, esses ciclones podem ter empurrado de forma mais violenta e rápida esses cardumes que batem aqui em Santa Catarina — detalhou ao NSC Total.
FOTOS: Como foi a safra da tainha em 2025
O especialista também destacou que, para que os cardumes se movimentem, a água deve estar entre 19 °C e 21 °C, temperaturas que estão sendo observadas no litoral catarinense nos últimos dias.
Continua depois da publicidade
— Passamos praticamente maio inteiro nesse intervalo de temperaturas. É a água ideal para esses peixes. Enquanto essa água não esfriar e não houver vento sul predominante por mais tempo, é possível que esses peixes fiquem mais tempo aqui na costa e tenham oportunidade de serem pescados — disse Magnotti.







