Catarinense de Florianópolis, o surfista Vinicius dos Santos está de volta a Nazaré, em Portugal, para mais uma temporada de ondas gigantes no pico considerado o mais imprevisível e desafiador do mundo.
Continua depois da publicidade
Depois de enfrentar uma lesão grave que resultou na colocação de quatro parafusos após fratura na perna e rompimento total dos ligamentos do tornozelo, o atleta celebrou o retorno ao mar sem lesões e projetou as maiores ondulações do inverno europeu, que acontecem entre janeiro e fevereiro. Veterano, Vini encara o local com cautela.
— Nazaré é uma verdadeira montanha-russa de emoções. O desafio é manter-se indiferente perante os obstáculos, porque normalmente é a onda que nos escolhe — disse o surfista em entrevista exclusiva ao NSC Total.
Nesta temporada, o brasileiro já esteve quatro vezes no pico português e aposta na consistência como caminho para evolução.
— Estar no mar surfando ondas gigantes, ondulação após ondulação, é o melhor caminho. Dessa forma, sigo conectado com Nazaré — comenta.
Continua depois da publicidade
A decisão de atravessar o Atlântico para surfar uma grande ondulação envolve mais do que coragem. Segundo Vini, uma swell de ondas gigantes é tratada como um verdadeiro evento meteorológico. Com cerca de três dias de antecedência, os surfistas começam a ter uma noção mais clara das condições, embora as previsões sejam instáveis.
— Levo em consideração não apenas o tamanho da ondulação, mas também a potência, a direção, o vento e o período entre uma vaga e outra — explica Vini dos Santos.
A logística é outro desafio. Muitas vezes, as viagens são feitas em cima da hora, com voos caros e condições climáticas adversas.
— Hoje, quando surgem boas previsões, meu humor já começa a flutuar: estou aqui, mas gostaria de estar lá — relata o surfista.
Continua depois da publicidade
Na água, Nazaré exige uma leitura diferente de qualquer outro pico de ondas gigantes. O banco de areia em constante transformação, somado ao efeito do Canhão da Nazaré e à reflexão da falésia onde fica o farol, torna o cenário ainda mais complexo.
— É a onda mais difícil que já surfei em termos de leitura — conta o atleta.
Fisicamente, a preparação passa, sobretudo, por estar no mar com frequência. Vini treina quase diariamente e mantém uma rotina de reabilitação e fortalecimento. Em Florianópolis, frequenta regularmente um centro de treinamento na Lagoa da Conceição. Antes das sessões em Nazaré, costuma se exercitar ainda de madrugada.
Surfista Vini Santos é homenageado em Florianópolis
— Praticar atividade física antes de surfar ondas gigantes melhora a oxigenação do corpo e ajuda a suportar mais tempo debaixo d’água — explica.
No aspecto mental, a preparação vem da confiança no próprio corpo e da fé.
— Já levei muitos golpes, vivi traumas, sobrevivi. Estou lá porque quero, porque gosto do que faço — relembra.
Continua depois da publicidade
Para o restante da temporada, o principal objetivo é claro: terminar o inverno sem novas lesões. Meta que, segundo ele, já começou a ser cumprida.
— Foi um bom início de temporada. Agora, que venham as maiores ondas do inverno. Normalmente isso acontece em fevereiro. E eu estarei lá, pronto — conclui Vini dos Santos.
*Sob supervisão de Marcos Jordão

