Três cidades de Santa Catarina já reportaram à Defesa Civil do Estado episódios de tremores de terra ao longo dos últimos 13 anos, período em que os dados começaram a ser planilhados. Incomuns em Santa Catarina, os fenômenos podem ser explicados por duas causas — e apenas uma delas tem relação com as placas tectônicas.

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Jaraguá do Sul, Pinheiro Preto e Abdon Batista são os municípios que fizeram o registro das ocorrências junto à Defesa Civil, conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade). O tremor em Abdon Batista, em dezembro de 2013, não chegou a ser captado pelos centros sismológicos. Isso porque os impactos foram muito locais, em um raio pequeno. Ou seja, de magnitude muito baixa.

Até hoje a prefeitura não sabe dizer o que houve.

Em Pinheiro Preto, por exemplo, o episódio de junho de 2021 chegou a resultar em danos a ao menos uma casa e um imóvel público. À época, a cidade de menos de 4 mil habitantes não encontrou explicação para o suave tremor. Geógrafo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), João Carlos Gré esclarece que há diferentes motivos para o evento acontecer, sendo dois principais: a movimentação das placas tectônicas e o acomodamento de terra.

“Acomodação superficial do solo”

Este último é o que provavelmente explica o tremor sentido em Jaraguá do Sul e registrado oficialmente em setembro de 2015. Geólogo consultor da Defesa Civil da cidade naquele período, Normando Zitta Júnior comenta que com a ajuda de uma universidade do Paraná a hipótese mais aceita foi a de que blocos de rocha se acomodaram sob o solo, o que gerou o balanço percebido por diferentes pessoas na localidade Tifa Theilacker, que vivenciou o tremor algumas vezes.

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— A teoria mais provável é que seria a acomodação superficial do solo por conta da variação dos períodos de chuva e de seca. A segunda possibilidade que aventaram foi a que chamamos de neotectônica, uma tectônica nova, que gera algumas fraturas, daí sim na rocha um pouco mais profunda. Essas fraturas podem gerar pequenos abalos sísmicos — detalha Júnior.

Quando há desabamento de tetos de cavernas, galerias subterrâneas e muita chuva, que causa o deslocamento de rochas, essas acomodações são possíveis. Como o país está dentro de uma grande placa tectônica, é pouco provável ocorrer terremoto de grandes magnitudes e, assim, a primeira opção ganha mais força.

— É uma linha muito tênue entre a acomodação do solo de superfície com a acomodação do solo mais profundo ou da rocha mais profunda através de pequenas fraturas.

Como estudos para “bater o martelo” sobre a real origem eram caros, o município optou por ficar com as duas hipóteses, lembra o profissional.

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Registros no arquivo da NSC mostram que Jaraguá do Sul e cidades da região, como Guaramirim e Schroeder, tiveram casos de tremores de terra em anos como 2010 e 2014, sendo este último o de maior repercussão por ter sido sentido durante ao menos 3 segundos pela população.