O brilho dourado que encanta turistas na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, Minas Gerais, é um dos espetáculos visuais do barroco brasileiro. No entanto, o que atrai milhares de visitantes pode gerar interpretações equivocadas.
Continua depois da publicidade
É comum que guias turísticos e visitantes atribuam a opulência do templo ao uso de ouro maciço em sua decoração e há quem afirme que a basílica possui cerca de 400 quilos de ouro em seu interior. Contudo, o interior do templo é recoberto na verdade por uma refinada talha dourada.
A técnica utiliza finíssimas folhas de ouro aplicadas sobre a madeira entalhada e informação da quantidade de ouro não foram confirmadas oficialmente.
O trabalho com a talha dourada foi fruto de um esforço de mais de 20 anos, envolvendo pintura e aplicação de painéis. A estrutura da Basílica possui um desenho arquitetônico caracterizado pela justaposição de duas formas quadrangulares: a nave ou corpo da igreja e a área da capela-mor com sacristia.
Continua depois da publicidade
Arquitetura da basílica
Diferente de construções maciças convencionais, a nave possui uma estrutura poligonal interna feita de madeira, com esteios robustos que sustentam os retábulos e as tribunas. Este sistema permitiu a criação de passagens irregulares entre as paredes de alvenaria e a estrutura de madeira, facilitando o acesso aos púlpitos e permitindo a entrada de luz natural pelas tribunas.
Para estudiosos da arte sacra, o grande destaque da Basílica está na capela-mor, onde a talha é amplamente reconhecida como uma obra-prima de Francisco Xavier de Brito, realizada entre 1746 e 1751. O altar é adornado com alegorias das virtudes teologais, de fé, esperança e Caridade, e cardinais, de Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
O conjunto artístico, no entanto, é fruto de um esforço coletivo de diversos artífices da época, a talha e douramento foram feitos por Xavier de Brito e nomes como Ventura Alves Carneiro (arco-cruzeiro) e José Coelho de Noronha (trono).
Continua depois da publicidade
O forro da nave, com 15 painéis retratando passagens do Antigo Testamento, foi executado por João Carvalhais em 1768, seguindo o risco de Antônio da Silva. A Basílica abriga ainda imagens sacras de grande valor histórico, como o Arcanjo Miguel (1714) e o Cristo Crucificado (1736).
A fachada principal, concluída em 1848, é fruto de sucessivas intervenções, devido à fragilidade original da taipa. O templo passou por reformas, incluindo a substituição de paredes inteiras por alvenaria de pedra.
Basílica é “território do Papa”
O título de “Basílica” é uma honraria conferida pelo Papa através da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e atesta a importância do edifício no valor histórico, artístico, litúrgico e pastoral.
Continua depois da publicidade
“Na prática, significa que o templo agora é ‘território do Papa’ e que em termos de importância, está igualada às basílicas de Roma. No caso da Basílica do Pilar, a concessão de tal título se deu em tempo recorde, apenas duas semanas, quando o usual é que o processo leve anos”, explica a Prefeitura de Ouro Preto.








