A passagem de tempo de Quem Ama Cuida, que marcou o começo da segunda fase da novela, mostrou vários elementos em cena em que cada um emite uma mensagem diferente. Enquanto alguns sinais servem só para marcar o tempo, outros dão pistas do que está por vir na novela.

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Amora Mautner foi sagaz ao usar uma espécie de janela de transporte público onde o espectador acompanhou os principais personagens como se eles estivessem passando pela tela. Logo no começo, um sinal claro de uma época que marcou a vida de todo mundo: a pandemia. Otoniel (Tony Ramos) e Elisa (Isabela Garcia) aparecem em um ônibus com máscaras.

Em seguida, uma cena de Pilar (Isabel Teixeira) também usando uma máscara, mas com outro significado, a máscara dela cobre todo rosto e a transforma em outra pessoa, deixando nítido que ela é uma vilã de várias faces. O luxo de Pilar durante os anos de 2020 e 2021 também contrasta com a vida dura da família de Adriana.

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Pedro aparece em Londres e logo de cara a placa com uma das mensagens mais icônicas do metrô da capital da Inglaterra: “mind the gap”. A mensagem foi criada para avisar aos passageiros que deveriam ter cuidado com o vão que fica entre o vagão e a plataforma do metrô.

Essa mensagem também funciona como aviso aos telespectadores. “Cuidado com a lacuna” é um alerta para que ninguém se perca com a passagem de tempo e entenda que a novela entrou em uma nova fase. Em uma Londres cinzenta e fria, Pedro (Chay Suede) aparece com uma capa de chuva amarela.

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As cores não são usadas em Quem Ama Cuida por acaso. O contraste entre a luminosidade do amarelo e o cinzento londrino é exatamente o que define o personagem de Pedro. Ele tem o bem e o mal dentro dele e já provou que pode ser alguém que se consome pela raiva e também de atitudes bondosas e solidárias.

Já as cenas que mostram Adriana sempre em tom vermelho, cor da personagem, e que vai ficando cada vez mais intenso, mostrando como ela está aumentando sua vontade de se vingar.

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Os livros são pistas usadas por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto desde o começo da novela, como analogias do que está por vir. Nesta passagem de tempo, dois mostram o que vem por aí na vida da protagonista.

Ela aparece lendo “A Odisseia de Homero e também “O Príncipe” de Maquiavel. Em A Odisseia, a vingança aparece como um motor decisivo da narrativa: Odisseu sofre a perseguição de Poseidon por ter cegado Polifemo e, quando finalmente retorna a Ítaca, vinga-se dos pretendentes que abusavam de sua casa e de sua autoridade. A obra pode ser associada à vingança como retribuição pela ofensa e pela desonra, mas também como restauração da ordem familiar e do poder legítimo, exatamente o que Adriana pensa em fazer.

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Em O Príncipe, Maquiavel apresenta a ideia de que o governante deve agir com firmeza e calcular bem suas punições, porque pequenas ofensas tendem a gerar vingança, enquanto agressões mais duras, quando aplicadas de uma vez, reduzem a possibilidade de retaliação e ajudam a manter o poder. O livro trata a vingança não como um gesto moral, mas como um elemento político ligado ao medo, à estabilidade e à necessidade de evitar inimigos prontos para se vingar, e mostra como Adriana pretende agir contra Pilar, Ulisses (Alexandre Borges) e Ademir (Dan Stulbach).

Por fim, a passagem de tempo ainda mostra uma frase escrita por Adriana. “Esse amargo na boca se fará doce, no dia que a vingança chegar”. Essa frase, que parece uma formulação da própria personagem, não aparece em nenhuma grande obra, mas lembra muito um motivo bíblico sobre algo “doce na boca” e “amargo no estômago”, presente em Jó 20:12-14 e também em Apocalipse 10:9-10.

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A direção de Quem Ama Cuida é primorosa, e usa a fotografia, o figurino, a maquiagem, a trilha e a composição de elenco como elementos que ajudam a compor a narrativa.

Globo divulga as primeiras imagens da segunda fase de Quem Ama Cuida

Produzida nos Estúdios GloboQuem Ama Cuida é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha. A novela tem direção artística de Amora Mautner, direção geral de Caetano Caruso e direção de Nathalia Ribas, Alexandre Macedo, Augusto Lana, Fábio Rodrigo e Rodrigo Olliveira. A produção é de Mauricio Quaresma e Isabel Ribeiro, a produção executiva, de Lucas Zardo e a direção de dramaturgia, de José Luiz Villamarim.

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