Arqueólogos encontraram 18 túmulos antigos em Marina El Alamein, no litoral noroeste do Egito, com peças de ouro colocadas na boca de mortos há cerca de 2 mil anos. As peças revelam novos detalhes sobre rituais funerários do período greco-romano.

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Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, a descoberta chama atenção pelas chamadas “línguas de ouro”, lâminas associadas à ideia de que a pessoa morta ainda precisava falar no além. O conjunto também inclui sarcófagos, altares, vasos, lâmpadas e câmaras funerárias lacradas.

O litoral egípcio guarda diversos tesouros para a arqueologia, pela proximidade e contato com outros povos. Outra descoberta importante na região foi um porto submerso que pode esconder o túmulo perdido da Cleópatra.

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O que foi encontrado no Egito

A missão arqueológica identificou 11 túmulos escavados na rocha, conhecidos como hipogeus, com cerca de oito metros de profundidade. Outros sete túmulos foram construídos na superfície com blocos de calcário.

Algumas câmaras ainda estavam fechadas por lajes de pedra desde a Antiguidade. Isso torna o achado importante, porque objetos, ossos e estruturas permanecem mais próximos do contexto original em que foram deixados.

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Entre os principais itens encontrados estão: túmulos escavados na rocha e estruturas funerárias de calcário. Assim como um sarcófago de granito de 2,5 metros com restos humanos em estudo.

Os arqueólogos também recuperaram vasos de cerâmica, ânforas, lamparinas, pratos, bacias de pedra e altares de calcário (Foto: Museo Egizio / Wikimedia Commons)
Os arqueólogos também recuperaram vasos de cerâmica, ânforas, lamparinas, pratos, bacias de pedra e altares de calcário (Foto: Museo Egizio / Wikimedia Commons)

Por que havia ouro na boca dos mortos?

As peças mais chamativas são as lâminas de ouro colocadas dentro da boca de alguns mortos. Esse tipo de objeto ficou conhecido como “língua de ouro” porque imitava, de forma simbólica, a capacidade de falar depois da morte.

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Na religião egípcia, a fala tinha peso espiritual. O morto precisava se comunicar, responder aos deuses e atravessar etapas do julgamento no além. Por isso, a língua de ouro funcionava como uma espécie de amuleto funerário.

O ouro também carregava valor religioso. Para os antigos egípcios, o metal tinha ligação com divindades e proteção. Assim, o ouro no corpo era parte de uma preparação ritual (Foto: Gary Todd / Wikimedia Commons)
O ouro também carregava valor religioso. Para os antigos egípcios, o metal tinha ligação com divindades e proteção. Assim, o ouro no corpo era parte de uma preparação ritual (Foto: Gary Todd / Wikimedia Commons)

Que cidade era esta?

Marina El Alamein fica a cerca de 100 km de Alexandria. A região é associada por arqueólogos à antiga Leukaspis, também identificada como Antiphrai, uma cidade portuária citada por autores gregos.

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A cidade cresceu entre o período helenístico e a era bizantina. Seu auge urbano e econômico ocorreu nos primeiros séculos depois de Cristo, quando o comércio conectava o Egito ao restante do Mediterrâneo.

Esse período histórico é interessante para explicar a mistura de elementos históricos em um mesmo lugar. Os túmulos mostram práticas egípcias tradicionais, mas também objetos e referências ligadas ao mundo greco-romano, como estátuas e itens de uso cotidiano.

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