Odiamos amar o remake de Vale Tudo ou amamos odiar o remake de Vale Tudo? A resposta para essa pergunta, depois da exibição do último capítulo, tem mais valor do que saber quem matou Odete Roitman, afinal, ela segue viva.
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Manuela Dias foi onipotente. Uma deusa atualizando do jeito que bem entendeu tudo que podia da obra clássica de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères.
A versão original da novela teve um feito que poucas tramas conseguiram, talvez só Avenida Brasil. Pegou o espírito da sociedade da época e transportou para a tela. Em 1988, o Brasil da redemocratização discutia corrupção e o jeitinho brasileiro. Ver isso no horário nobre, misturado ao melodrama, fez Vale Tudo de 1988 ser o sucesso que foi, digno de parar o Brasil e ganhar um remake anos depois.
Avenida Brasil também conseguiu isso, quando retratou a ascensão da classe C em 2012, na época em que o país vivia uma economia crescente e maior poder de compra. Talvez seja injusto dizer que o remake de 2025 não conseguiu o mesmo feito, ele retratou, sim, a sociedade atual.
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O remake de Vale Tudo foi raso como um meme, rápido como um vídeo do TikTok, absurdo como um bebê reborn e sem nenhum tipo de profundidade como um grupo de Whatsapp. Vivemos na superfície, discutindo e achando que somos polarizados, quando no fundo, somos apenas acomodados.
A grande sorte da Vale Tudo de 2025? O elenco! Primoroso, sem nenhuma escolha errada, e isso inclui Bella Campos, que fez a Maria de Fátima mais próxima da realidade atual. Todo mundo defendeu seu papel da melhor maneira.
Taís Araújo e Debora Bloch brilharam mais, venceram as antecessoras, criaram uma nova Raquel e uma nova Odete. Malu Galli foi além, fez uma Celina a altura do seu talento e com um tamanho que a outra não teve. Paolla Oliveira, Belize Pombal, Alice Wegmann, Matheus Nachtergaele, Luis Lobianco, Karine Teles, Carolina Dieckmmann e Alexandre Nero foram essenciais, salvaram a novela por diversas vezes.
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Um elenco que fez o trabalho que a Globo esperava. Engajou, criou conteúdo, deu o que falar nos bastidores e fizeram o remake de Vale Tudo ser assunto nos últimos meses.
Não parou o Brasil como em 1988, aliás ficou longe disso, mas na era da disputa da atenção, venceu a barreira da indiferença. O remake de Vale Tudo não passou em branco, passou no limite do que poderia ser. Mais do que isso, só com muito lastro!

