A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), operada pela Vale, abriga a viagem de trem diária mais longa do Brasil. O percurso estende-se por 664 km, ligando Belo Horizonte, em Minas Gerais, a Cariacica, na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo.

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Com quase 14 horas de duração, a linha é uma das raras opções de transporte ferroviário de passageiros de longo curso que permanecem ativas no país.

Diferente de composições estritamente turísticas, o trem da Vale funciona como um meio de transporte essencial para os moradores das cidades ao longo da ferrovia, oferecendo uma alternativa mais segura e barata às curvas perigosas da BR-262.

Os trens partem simultaneamente todos os dias: um sai de Belo Horizonte e outro da Estação Pedro Nolasco, em Cariacica. Manter essa linha de passageiros em operação é uma exigência do contrato de concessão da Vale, que utiliza a mesma malha para o transporte de minério de ferro.

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Para quem planeja a jornada, a recomendação é preparar-se para um dia inteiro sobre os trilhos, aproveitando o tempo para socializar, caminhar até o vagão-restaurante ou simplesmente contemplar a vista.

Estrutura e classes da viagem de trem diária mais longa do Brasil

Os vagões atuais, importados da Europa e em operação desde 2014, oferecem duas categorias de conforto:

  • Classe executiva: Possui três assentos por fileira, garantindo mais espaço e poltronas com maior ângulo de reclinação. Conta com tomadas individuais, luz de leitura, descanso para os pés e áudio individual para entretenimento.
  • Classe econômica: Configurada com quatro assentos por fileira, oferece uma tomada elétrica a cada duas poltronas e telas de vídeo compartilhadas ao longo do carro com áudio ambiente.
  • Serviços a bordo: A composição inclui vagões destinados exclusivamente à lanchonete e ao restaurante, além de um carro gerador.

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O trajeto e paisagens da viagem de 14 horas

A ferrovia funciona desde 1907 e transporta anualmente mais de 1 milhão de passageiros. O trem realiza 30 paradas estratégicas, atendendo diversas comunidades mineiras e capixabas. Embora o tempo de viagem seja extenso, o percurso compensa visualmente.

As janelas do trem revelam montanhas, rios e matas nativas do Sudeste brasileiro. Um dos trechos mais memoráveis ocorre nas proximidades de Belo Horizonte, onde os trilhos atravessam as paisagens preservadas do Parque Nacional da Serra da Gandarela.

*Sob supervisão de Pablo Brito