O advogado Willer Tomaz, que já afirmou em manifestações anteriores que é amigo do candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), teria feito 14 depósitos de R$ 500 mil na plataforma de apostas Blaze, totalizando R$ 7 milhões e, no dia seguinte, sacou R$ 500 mil 12 vezes em 18 minutos. A informação foi divulgada pela Secretaria de Prêmios e Apostas vinculada ao Ministério da Fazenda, que revelou que Willer foi o maior apostador do Brasil em 2025.
Willer é investigado pela Polícia Federal por suposta lavagem de dinheiro com operações de apostas. De janeiro de 2025 a julho de 2026, o advogado apostou R$ 6,6 bilhões e teve um prejuízo de R$ 188,5 milhões, segundo informações do g1.
Segundo a casa de apostas Blaze, que se manifestou à Secretaria, o advogado apostou mais de R$ 258 milhões e sacou R$ 200 milhões em sua conta na plataforma. Willer chegou a entrar com um processo contra a casa de apostas por “não controle do vício”. No processo, a defesa afirmou que os aportes totalizaram R$ 325 milhões, contabilizando já 2026.
Para a Secretaria de Apostas, houve falhas nos controles de prevenção de lavagem de dinheiro pela Blaze, já que foram realizadas muitas transações pelo advogado sem que fossem criados alertas.
“Essa pessoa foi a que teve o maior volume total de depósitos em plataformas de quota fixa no Brasil em 2025, sendo que o valor por ela depositado constituiu quase o dobro do valor depositado pela pessoa que figurou como segunda colocada nesse ranqueamento”, diz a pasta.
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são amigos
Advogado deveria ter sido classificado como “apostador de risco máximo”
Segundo a Secretaria, a casa de apostas deveria ter classificado o advogado como um apostador de “risco máximo”. No entanto, a Blaze o classificou como de “risco médio”.
“Essa constatação se torna ainda mais flagrante ao identificar-se que o cliente em questão também poderia se enquadrar na categoria de risco máximo utilizada pela empresa (‘crítico’), em razão de nela constar o elemento da ‘potencial violação sistêmica da legislação aplicável’, dado que uma rápida pesquisa em fontes abertas na internet mostra que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção; e ainda o elemento da ‘incompatibilidade manifesta entre capacidade econômico-financeira e volume de operações’, haja vista a debilidade da empresa em avaliar essa capacidade”, diz o texto.
Willer Tomaz já foi preso em 2017
O advogado é investigado na Operação Sem Desconto, sobre descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS). Em 2017, ele foi preso suspeito de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, sobre fraudes em fundos de pensão.
Willer também é investigado pelo STF sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo ele, empresas dele e Flávio Bolsonaro. E-mails encontrados pela PF com a quebra de sigilo do telefone do advogado apontam que o candidato foi como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
Em mensagens apreendidas pela PF, Willer teria feito pagamentos para retirar da internet reportagens que o relacionavam ao parlamentar. Para negar, a defesa do advogado afirmou que os dois são amigos.
“Willer Tomaz jamais buscou desvincular sua imagem da de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo. Que um relatório da PF se ocupe disso, sem qualquer relação com o objeto da investigação, só confirma que se trata de uma pescaria probatória com fins eleitorais”.




