A terceira pesquisa Quaest contratada pela NSC para avaliar o cenário das Eleições 2026 indica o prenúncio de uma vitória maiúscula em Santa Catarina. A se confirmarem os números do levantamento da véspera do 1º turno, a eleição catarinense terá um grande vencedor: o governador Jorginho Mello (PL).
A projeção não se baseia apenas na provável vitória em 1º turno, já que o governador candidato à reeleição alcançou 71% das intenções de votos válidos na pesquisa Quaest. Jorginho também viu os dois nomes do partido na corrida ao Senado ocuparem a liderança da pesquisa, com Carol de Toni (PL) abrindo vantagem sobre os demais adversários.
Se conseguir eleger os dois nomes, incluindo o recém-chegado ao PL de SC Carlos Bolsonaro, o governador terá os três senadores do Estado, já que quatro anos atrás ajudou a eleger o à época também desconhecido Jorge Seif (PL), que tem mandato até 2030.
Mas o alcance do grupo de Jorginho Mello também deve passar pelas eleições proporcionais. Em 2022, concorrendo com o PL de forma isolada, conseguiu eleger seis deputados federais e 11 estaduais, incluindo as recordistas de votos Carol de Toni, na Câmara, e Ana Campagnolo, na Assembleia Legislativa (Alesc). Para 2026, em chapa com apoio de outros oito partidos e com possível vitória em 1º turno por diferença expressiva, Jorginho vai às urnas com a expectativa de repetir uma avalanche de aliados eleitos, com expectativas sobre votações de nomes como Júlia Zanatta, Ana Campagnolo e Jair Renan Bolsonaro, o filho “04” do ex-presidente.
De quebra, também pode cair na conta do governador o fato de garantir mandato a dois dos quatro filhos de Bolsonaro que foram para a política. Um bônus e tanto para quem sempre tenta exibir lealdade a Bolsonaro e evitar a pecha que dificultou o caminho político a outros nomes que se chocaram com o ex-presidente.
Desafeto declarado do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jorginho poderá, se confirmar o favoritismo nas urnas, dobrar a aposta na rivalidade com o petista, ao se recusar a ir a eventos do governo federal com a presença de Lula ou de seus ministros. Afinal, a conduta não pareceu, ao menos pelos números das pesquisas prévias da Quaest, pesar negativamente na avaliação do governo.
Validação do papel de articulador
A possível vitória confirmaria o acerto de Jorginho em decisões tomadas ao longo da pré-campanha, como a de abrir mão de Esperidião Amin e dos partidos MDB, PP e União Brasil na coligação. As decisões foram tomadas para conseguir abrigar o filho de Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, a pedido do ex-presidente, e para acomodar na chapa o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo). Mesmo com os ex-aliados descontentes do MDB e PP migrando para o lado de João Rodrigues (PSD), o governador conseguiu manter os rivais a uma distância segura na intenção de votos em toda a campanha — ao menos, até o dia da votação.
Se confirmar nas urnas os resultados apontados nas pesquisas Quaest de SC, em especial a última, o governador pode mudar de patamar na política catarinense. Os resultados podem credenciar Jorginho a entrar em um clube de lideranças que teve como último nome o ex-governador Luiz Henrique da Silveira. A capacidade de articulação, de acomodar aliados, obter apoio de prefeitos e de transformar esses acordos em sucessivas vitórias eleitorais, como fez ao longo dos 16 anos de tríplice aliança em SC, tornaram-se marcas do emedebista, que conseguiu eleger o sucessor e chegar a Senado após oito anos de governo.
Curiosamente, são desafios que, em certa medida, podem aparecer no futuro político de Jorginho Mello, a depender dos resultados revelados após a abertura das urnas neste domingo. Reeleger-se em 1º turno com ampla maioria, emplacar dois senadores em uma disputa acirrada contra figuras conhecidas do eleitorado, como Amin, e novamente formar bancadas robustas na Câmara e na Alesc seriam credenciais suficientes para colocá-lo em outra prateleira da política catarinense. O governador, que carrega um diminutivo no nome de batismo, poderia sair das urnas com uma vitória em tamanho maiúsculo.
