André Mendonça determina o afastamento de Andrei Rodrigues da diretoria da Polícia Federal

Ministro do STF justificou a decisão como medida necessária para "preservação das garantias funcionais da magistratura em geral"

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Andrei Rodrigues, diretor da PF (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Andrei Rodrigues, diretor da PF (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento do diretor da Polícia Federal Andrei Rodrigues nesta terça-feira (8). A decisão também define a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da Polícia Federal para apurar a produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades. A informação é da Globo News.

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“Ante o exposto, como medida necessário à preservação das garantias funcionais da magistratura em geral e deste Tribunal em particular, notadamente pela preservação das condições institucionais para que os Ministros deste tribunal, o Advogado-Geral da União, e os servidores da Polícia Federal exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais, e a fim de preserva-se a segurança e a integridade pessoa de todos, bem como a viabilização das condições institucionais adequadas para que se promova a devida apuração sobre a produção do referido material”, diz a decisão.

Também foi suspensa qualquer produção ou compartilhamento de relatório de inteligência que tenham como objetivo a análise da atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária. Uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF foi convocada para ser realizada ainda nesta terça.

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O afastamento de Andrei Rodrigues faz parte de uma crise envolvendo o nome do diretor-geral da PF. No dia 3 de setembro, o Partido Novo pediu a prisão preventiva de Andrei, alegando que ele poderia estar envolvido em uma suposta rede de influência criminosa liderada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Quem é Daniel Vorcaro

Decisão cita “relatórios de inteligência” encaminhados ao ministro Moraes

A decisão de André Mendonça ainda aponta que Andrei encaminhou ao ministro do STF Alexandre de Moraes seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026, para o Inquérito das Fake News. O próprio ministro Mendonça, além do Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, estaria sendo monitorado de forma “ilícita e sistemática” há mais de 30 dias por parte da inteligência policial.

“A par de existirem outras questões em torno das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do Senhor Andrei Augusto Passos Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos “relatórios de inteligência” publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas. Por isso, ante a urgência e extrema gravidade que a situação apresenta, essa decisão se centrará no exame deste fato específico”, diz a decisão.

Para além disso, Mendonça também cita como “surreal” e “abjeta” uma acusação sobre a conduta dele e de Messias sobre não acatar solicitações da PF, que, segundo os relatórios, poderia ser explicada por possuírem “matriz religiosa comum” e terem tido apoio de igrejas evangélicas durante suas candidaturas.

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O ministro afirmou, também, que os relatórios continham decisões jurisdicionais do STF, mérito técnico da AGU e o trabalho investigativo de outros delegados da PF, com “escancarada realização de juízo correicional”.

Mendonça ainda classificou os relatórios como frágeis e apontou que os documentos não tinham timbre, brasão, assinatura ou numeração. As análises não teriam qualquer valor probatório, como os próprios autores do material alertavam nos relatórios, segundo o ministro.

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O ministro disse que os relatórios tinham detalhes sobre investigações que ainda estavam em andamento sobre os políticos Antonio Rueda e ACM Neto, e que o vazamento dessas informações “frustrou completamente a sua eficácia e prejudicando efetivamente as investigações”.