Mendonça manda para prisão domiciliar empresário suspeito de desvio milionário no INSS

Investigado por suspeita de envolvimento em descontos irregulares no INSS, Maurício Camisotti cumprirá prisão domiciliar com tornozeleira e não poderá manter contato com outros investigados

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Foto Fellipe Sampaio STF

André Mendonça considerou que não há mais risco de Maurício Camisotti interferir nas investigações sobre fraudes no INSS

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça revogou a prisão preventiva imposta ao empresário Maurício Camisotti, investigado por suspeita de participação em um esquema de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi tomada na quinta-feira (5).

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Com a determinação do ministro, Camisotti passará a cumprir prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica e o estabelecimento de outras medidas cautelares, como, por exemplo, a proibição de manter contato com outros investigados no caso do INSS.

Para Mendonça, não há mais risco de Camisotti interferir no andamento das investigações e as medidas restritivas impostas são suficientes para garantir a continuidade da apuração dos fatos pela Polícia Federal.

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O empresário estava preso desde setembro de 2025, quando foi alvo de uma das fases da operação que apura fraudes nos descontos aplicados diretamente nas aposentadorias e pensões. Na mesma etapa, foi preso Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Investigação

Maurício Camisotti é apontado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores e beneficiários do esquema de descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários do INSS. As investigações identificaram cobranças de mensalidades de associações e entidades diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas, sem autorização dos beneficiários.

Empresas ligadas ao empresário receberam transferências de entidades investigadas, entre elas a Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec). A entidade recebeu quase R$ 400 milhões do INSS entre 2023 e 2025.

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O esquema investigado teria provocado prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões e atingido mais de 4,1 milhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

A defesa de Camisotti celebrou a decisão de Mendonça. Em nota divulgada à imprensa, os advogados Daniel Bialski e Pierpaolo Cruz Bottini afirmaram que o ministro reconheceu que a manutenção da prisão preventiva não se justificava mais, seja pelo tempo de duração, seja pela ausência de motivos para a medida, e ressaltaram que o empresário não tentou atrapalhar as investigações e que ele cumprirá as medidas determinadas pela Justiça.