O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (7) que tomará providências em relação aos parlamentares que ocuparam o plenário e impediram a realização das sessões. Ele também nega que tenha negociado a votação de projetos com a oposição em troca da desocupação da Casa. As informações são do g1.
Por quase dois dias, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam o principal plenário da Câmara, em protesto contra a prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas na noite de quarta-feira os parlamentares deixaram o local.
O funcionamento da Câmara também foi impedido como parte de um movimento da oposição, com o objetivo de pressionar a discussão da pauta prioritária do bloco, que contempla a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e o fim do foro privilegiado.
Durante a saída dos parlamentares da oposição, eles afirmaram que Motta teria se comprometido a dar seguimento aos pleitos do grupo, mas a situação foi negada pelo presidente durante uma entrevista à imprensa nesta quinta.
“A presidência da Câmara é inegociável. Quero que isso fique bem claro. As matérias que estão saindo sobre a negociação feita por esta presidência para que os trabalhos fossem retomados não estão vinculadas a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia as suas prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente ninguém”, declarou Hugo Motta.
Medidas contra o grupo da ocupação
Segundo o g1, o presidente da Câmara sinalizou que deve analisar, ao longo desta quinta, possíveis medidas disciplinares contra os deputados que participaram do bloqueio na Casa.
Antes de Motta se dirigir ao plenário da Casa na noite de quarta, a Secretaria-Geral da Mesa disparou a assessores e parlamentares um comunicado destacando que “quaisquer condutas que tenham por finalidade impedir ou obstaculizar as atividades legislativas” poderiam levar à suspensão imediata do mandato.
A jornalistas, Hugo Motta afirmou que “providências” serão tomadas ainda nesta quinta, de acordo com o g1.
Como foi a ocupação
Deputados da oposição ocuparam o plenário desde terça-feira (5) em forma de protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O presidente da Câmara ameaçou suspender mandatos por até seis meses e acionou a polícia legislativa, que chegou a ser posicionada na porta do plenário. Após negociações, os parlamentares oposicionistas cederam, e Motta conseguiu abrir a sessão.
— Não podemos deixar que projetos pessoais e até projetos eleitorais possam estar à frente do que é maior que todos nós: o nosso povo — afirmou ele.
Ao retormar o controle da Mesa, Motta destacou que sua presença visava reafirmar a autoridade da Presidência da Câmara e o papel institucional da Casa.
— Nossa presença nesta Mesa, na noite de hoje, é para garantir duas coisas: a primeira é o respeito a esta Presidência, como quer que seja; e a segunda, é para que esta Casa possa se fortalecer.
Tumulto
Pouco antes, ao tentar abrir a sessão, Motta foi impedido de se sentar na cadeira da Presidência. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que participava da ocupação, não quis sair do lugar. Após breve tensão e conversa entre os dois, o parlamentar cedeu.
*Sob supervisão de Giovanna Pacheco
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