Assessor de Milei mandou policial apagar vídeos da fuga de Flávio Bolsonaro da Argentina, diz NYT

Episódio ocorreu no aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, pouco antes de o senador embarcar no avião que o levou aos Estados Unidos

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Segundo o The New York Times, Santiago Caputo teria participado da organização da viagem de Flávio, incluindo a agilização da documentação da família e dos procedimentos necessários para o voo (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total e Banco de imagens)

Santiago Caputo, conselheiro do presidente da Argentina, Javier Milei, mandou um policial apagar vídeos gravados durante a fuga de Flávio Bolsonaro do país, segundo reportagem publicada pelo The New York Times nesta quinta-feira (5). O episódio ocorreu no aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, pouco antes de o senador embarcar no avião que o levou aos Estados Unidos.

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Com base em depoimentos de duas pessoas, o jornal afirma que Caputo procurou um policial de baixa patente que filmava a movimentação na pista do aeroporto depois da decolagem da aeronave. Ele pediu que o agente deletasse os vídeos.

A reportagem foi publicada no mesmo dia em que o NYT divulgou uma entrevista com Flávio, em que ele disse que não recebeu apoio dos governos dos Estados Unidos e da Argentina para a fuga. Questionado se conhecia Santiago Caputo, o senador brasileiro negou e afirmou que “vários argentinos estavam ao meu lado, não sei se um deles era esse cara”.

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Caputo também negou participação na viagem, em mensagem enviada pelo WhatsApp ao jornal. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou que o governo não teve qualquer envolvimento na saída do senador do Brasil.

Caputo ficou esperando Flávio em café de posto

A reportagem do NYT ainda afirm que Caputo teria participado da organização da viagem de Flávio, incluindo a agilização da documentação da família e dos procedimentos necessários para o voo. Na quinta-feira passada, a informação já havia sido adiantada pelo jornal argentino Clarín.

Segundo o jornal americano, Caputo viajou cerca de 1,3 mil quilômetros de Buenos Aires até a região de Puerto Iguazú. Ele chegou na noite de 26 de outubro, um dia depois da eleição brasileira, e passou boa parte da terça-feira seguinte aguardando Flávio, inclusive em um café dentro de um posto de gasolina.

O avião particular que levaria o senador e a família já estava no aeroporto. A aeronave pertencia à empresa argentina Baires Fly e havia sido fretada por US$ 150 mil, conforme relato do proprietário, Luis Grande, ao jornal. O voo estava inicialmente previsto para a noite de 26 de outubro, mas foi adiado porque os passageiros tiveram dificuldades para chegar, segundo Grande.

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Flávio cruzou a fronteira argentina na noite seguinte, acompanhado da mulher e das duas filhas. O grupo chegou ao aeroporto em uma van cinza. No local, Caputo e seus auxiliares teriam ajudado a acelerar os procedimentos de imigração e embarque, conforme o NYT. O avião decolou pouco depois da meia-noite de quarta-feira, 28 de outubro.

Veja fotos da chegada de Flávio Bolsonaro aos EUA

Senador fugiu após perder a eleição no Brasil

Flávio Bolsonaro perdeu as eleições no Brasil para Lula (PT) no domingo passado, 25 de outubro. A fuga ocorreu após ele receber ordem para entrega de passaportes devido a uma investigação que trata de suspeitas de lavagem de dinheiro junto ao advogado e seu amigo Willer Tomaz.

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Na chegada aos EUA, ele divulgou uma carta de teor golpista na qual disse ser o “verdadeiro presidente” do Brasil. Depois, mudou o termo para “líder”, mas manteve o tom.

Na carta, Flávio também agradeceu os governos dos EUA e da Argentina. “Queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”, diz um trecho.

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Vitória de Lula nas eleições é legítima e foi reconhecida pelo TSE

As alegações de Flávio Bolsonaro de que houve uma fraude eleitoral na vitória de Lula são falsas. O Tribunal Superior Eleitoral já homologou o resultado das eleições. O ministro Kassio Nunes, que é aliado de Jair Bolsonaro (PL), também afirmou que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais“.

A prorrogação no tempo de votação, solicitada tanto pela campanha de Lula quanto pela campanha de Flávio, resultou em apenas 34 mil votos a mais após as 17h, segundo o próprio TSE. O PL, partido de Flávio, não contesta o resultado, alegando que não há como dizer que houve fraudes nas eleições, já que não há provas