Lula teve 72% dos votos nas cidades onde o Bolsa Família tem maior alcance no 2º turno

Lula alcançou 72% dos votos válidos nos municípios com maior dependência do Bolsa Família no 2º turno das eleições

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Lula venceu em 93 das 100 cidades com maior proporção de beneficiários do Bolsa Família. (Foto: Lyon Santos, MDS / Marcelo Camargo, Agência Brasil)

Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cruzados em levantamento da empresa de inteligência de dados Setup News, mostram que o presidente Lula (PT) alcançou 72% dos votos válidos nos municípios com maior proporção da população atendida pelo Bolsa Família.

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FOTOS: O raio x do Bolsa Família nas urnas pelo Brasil

Força nos pequenos municípios e a dinâmica das metrópoles

Nos municípios com maior dependência proporcional, onde uma fatia expressiva dos moradores recebe o benefício , a preferência por Lula seguiu decisiva. O petista venceu em 93 das 100 cidades com maior taxa de dependência do programa, a exemplo de Itaubal (AP), Mocajuba (PA) e Autazes (AM).

Já o cenário muda quando se analisa o volume absoluto de beneficiários. Nas 100 maiores cidades em número total de famílias atendidas, como São Paulo (663 mil famílias) e Rio de Janeiro (418 mil) , a disputa foi bem mais acirrada: Lula registrou 52,5% dos votos válidos, contra 47,5% de Flávio Bolsonaro (PL). Essa diferença entre o interior e os grandes centros reflete como a dinâmica eleitoral das metrópoles é atravessada por outros fatores, como segurança pública, inflação urbana e emprego informal.

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Oposição critica uso eleitoral de acréscimos ao benefício

A oposição, liderada nacionalmente pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), criticou o impacto dos repasses e reajustes orçamentários do programa na reta final do pleito. Integrantes do partido argumentam que a ampliação das ajudas estatais buscou criar dependência econômica no eleitorado vulnerável.

Por outro lado, análises sobre comportamento eleitoral e transferência de renda indicam que o apoio popular nas regiões mais atendidas reflete uma relação histórica de confiança construída ao longo dos mandatos petistas, funcionando como um mecanismo de amparo social e garantia de continuidade das políticas assistenciais.

Esse comportamento ganha respaldo em levantamentos de institutos de pesquisa, como a Quaest. Os dados mostram que, entre os beneficiários do programa social, há um temor historicamente elevado frequentemente, superando os 60% de que uma eventual vitória da oposição resulte no corte ou na redução dos valores do benefício. Analistas indicam que esse receio alimenta um cálculo racional de autopreservação no eleitorado vulnerável, que opta pela manutenção do governo atual para garantir a estabilidade do orçamento familiar.

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*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.