A cantora Anitta declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a artista afirmou que votará no candidato no dia 25 e criticou o bolsonarismo, além de defender os posicionamentos políticos que mantém há anos.
“Eu vou votar 13 para presidente. Eu vou votar no Lula. Como vocês já sabem”, declarou Anitta. A cantora também afirmou que acreditava que Lula venceria no primeiro turno e reconheceu que estava errada. “Eu estava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno por uma arrogância minha mesmo, de achar impossível em 2026 a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo”, disse.
Essa não é a primeira vez que Anitta manifesta publicamente suas posições políticas. A artista também citou o apoio a causas relacionadas aos direitos das mulheres, dos povos indígenas, ao meio ambiente e ao combate ao racismo religioso, além de campanhas pelo fim das apostas on-line e da escala de trabalho 6×1. “O meu voto é 13, o meu voto é Lula, porque não tem como ser diferente disso diante de todas as circunstâncias que o Brasil está vivendo agora”, concluiu.
Confira na íntegra o pronunciamento de Anitta
No dia 25, eu vou votar 13 para presidente. Eu vou votar no Lula. Como vocês já sabem. Os motivos, eles já foram ditos por mim ao longo de todos esses anos, né? Muitos anos em campanhas, entrevistas, posicionamento direto, posicionamento sobre pautas no Congresso. E esse ano, artisticamente, com o meu álbum, né? Equilíbrio. É, eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu estava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno por uma arrogância minha mesmo, de achar impossível em 2026 a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo. Mas eu estava errada, né? É importante a gente reconhecer esses sobressaltos. Como disse uma amiga minha esses dias, eh, que já me ensinou muito sobre política e sobre a esquerda, ela falou para mim: ‘Vai estudar! Vai ler um livro!’. E eu vou, porque eu sempre vou, né? Tenho pouco tempo, mas enfim, tenho o tempo que eu tenho buscado estudar. Mas, infelizmente, a vida está puxada e nem todo mundo está com tempo ou até com paciência de ler livro antes de votar ou de expressar sua opinião política, e eu não julgo. É isso, é uma democracia. Só que assim, a internet parece ser uma ótima solução para simplificar os assuntos, mas para questões muito complexas é impossível uma resposta ser simples assim. A política é complexa, e isso parece ter sido feito de propósito, né? O bolsonarismo, ele vive de um mercado que influencia a população através das redes sociais, com base religiosa radical, e que usa de toda essa complexidade para confundir o cidadão, que traz temas para viralizar e conseguir voto através de fama, né? A mesma conquistada pelo engajamento de alguma coisa estúpida, de uma discussão estúpida, absurda, criminosa, inacreditável, né? Coisas que deveriam ser inaceitáveis de serem faladas, de serem faladas agora elas são faladas com normalidade. E para mim, que ainda preciso de muito livro para ler, a direita, na minha opinião, era Fernando Henrique Cardoso, Alckmin, Serra. Nessa época, a direita e a esquerda disputavam e, no fim, cada um aceitava o resultado das votações, parabenizava educadamente seu opositor, e vida que segue, política, isso é política. Ninguém acusava fraude das urnas sem prova, ninguém citava quebra e golpe de Estado caso perdesse. O candidato aceitava as regras do jogo, mais conhecida como Constituição. E pronto, né? E o mais importante: ninguém promovia o discurso de ódio. Ódio a alguém, aos transgêneros, ao preto, à lésbica do cabelo curto que agora vai ter que deixar crescer porque o Flávio está chegando, né? O ódio à mulher que não devia ter o direito de votar, o ódio dentro de casa, onde os familiares romperam as relações por votarem diferente, né? A gente não devia ser obrigado a odiar quem gente que a gente ama, quem já ajudou a gente na vida, que nos criou, gente da nossa casa, um amigo que a gente gosta de conviver. Mas quem começou isso foi o bolsonarismo. Por isso que eu não chamo o bolsonarismo de direita, eu não chamo. Chamo de bolsonarismo. Porque a direita ela sempre existiu, e as coisas não eram assim. A direita e a esquerda de verdade apresentavam propostas reais de governo, e aí o cidadão escolhia um lado ou o outro lado. Pronto. O bolsonarismo não. O bolsonarismo apresentava abafa midiático, idolatria a um país estrangeiro, incita a briga entre as pessoas, o fanatismo ao governo estadunidense ao ponto de entregar o nosso país e toda a nossa riqueza nas mãos de um cara que está cagando e andando para o Brasil e para o povo brasileiro, e o pior mau-caratismo de todos, que para mim é o início do fim, é misturar religião com política, tá? É fazer o povo acreditar que partido político é uma escolha entre família e Jesus Cristo e a promiscuidade, o capeta… Nem sei qual é a outra opção. Isso devia ser considerado crime. O fato de você enxergar as problemáticas políticas em torno do Lula, que não podem ser ignoradas, né? Isso não pode apagar os benefícios que os projetos dele trouxeram e ainda trazem para tantas pessoas necessitadas, né? Tanta gente que saiu da miséria, né? São milhões de relatos, aqui na internet não é nem difícil de você achar. É que as pessoas não querem ver. E eu queria dizer agora para o meu público, para o meu fã que comenta, que engaja, que posicionamento também é fazer o que eu venho fazendo há anos, sem medo, perdendo milhões de seguidores — não é milhares, é milhões — porque eu nunca tive medo, né? E só no ano de 2026, não só apoiei as causas que eu sempre apoio — a favor das mulheres, dos indígenas, do meio ambiente, a intolerância e o racismo religioso —, como também iniciei campanha pelo Fim das Bets, apoiei o Fim da Escala 6×1, autorizei os responsáveis a usar a minha música como tema da campanha, música essa que estava num álbum que para mim é o próprio ato político por si só, que eu escolhi esse ano para lançar por saber que posicionamento é todo dia. Um álbum popular que traz uma mensagem tão importante para as pessoas, que é uma mensagem que é o oposto de tudo que o bolsonarismo prega. Então, o posicionamento para mim que é todo dia, que eu sempre fiz há muitos anos, tá em quem você escolhe para trabalhar com você, tá nas suas entrevistas, tá na sua obra de arte. Então, se o futuro do país… Isso é uma coisa que eu sempre fico pensando e gostaria de trazer para você pensar: se o futuro do país dependesse só das suas ações, do que você faz, sem valer na conta o que você fala na internet, o que você curte, o que você comenta… Que país nós teríamos? Graças a Deus, quando eu me faço essa pergunta, a minha consciência dorme tranquila. Porque eu sou mulher, trabalhadora, vim da favela, sou candomblecista, e nunca me abstive… Nunca me abstive de me colocar, me posicionar, de trazer para o público o que eu acredito que seja muito importante, da minha maneira. Não sei se é da maneira que todo mundo acredita, talvez é a maneira que eu acredito. Mas é isso, posicionamento é todo dia, e isso eu sei que eu faço, sempre fiz e sempre farei. E quem me acompanha, quem me segue, quem me acompanha nos últimos dias, no último mês, no último ano, nos últimos 3, 4, 5, 6 anos, acompanha o meu posicionamento todos os dias. Posicionamento não é um dia, não é na hora que se quer, não is na hora que está virando trend na internet, posicionamento é todos os dias, e todos os dias eu estou lá. O meu voto é 13, o meu voto é Lula, porque não tem como ser diferente disso diante de todas as circunstâncias que o Brasil está vivendo agora.
