Como funciona a votação eletrônica em países pelo mundo

De sistemas biométricos ao voto pela internet, veja como diferentes nações adaptam a tecnologia eleitoral e mantêm o rastro físico para garantir segurança e transparência

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Urna eletrônica

A urna eletrônica não é uma exclusividade do Brasil: modelos usados ao redor do mundo geralmente combinam a tecnologia digital com registros físicos em papel e rigorosas auditorias (Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil)

Ao contrário da crença popular de que a votação eletrônica é uma exclusividade brasileira, ao menos 34 países utilizam a tecnologia em diferentes etapas de suas eleições ao redor do mundo. No entanto, longe de aposentar o papel por completo, o cenário global combina máquinas digitais com registros físicos impressos e auditoria rigorosa.

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Nos Estados Unidos, por exemplo, a tecnologia até é empregada, mas não há exatamente um sistema eleitoral único. Na Índia, que tem quase 1 bilhão de eleitores, o sistema prevê o transporte de urnas eletrônicas para alcançar vilarejos remotos. Butão e Filipinas também adotam modelos para vencer as dificuldades geográficas. Já se olharmos para a Bélgica, enxergamos uma grande referência mundial no uso de apuração automatizada. Enquanto isso, na Estônia encontramos o pioneiro voto remoto pela internet.

FOTOS: O que é importante saber sobre as Urnas Eletrônicas no Brasil

Índia: o gigante das urnas com rastro impresso

Com cerca de 960 milhões de eleitores, a Índia utiliza urnas eletrônicas (EVMs) portáteis alimentadas por bateria para alcançar vilarejos remotos nos Himalaias e áreas de deserto. As telas exibem símbolos visuais partidários para auxiliar cidadãos analfabetos.

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Por determinação da Suprema Corte indiana, praticamente todas as urnas operam acopladas ao sistema VVPAT (Voter Verifiable Paper Audit Trail). O equipamento imprime um comprovante que fica visível por sete segundos atrás de um vidro antes de cair em uma caixa selada para auditoria.

Estônia: o voto digital no conforto de casa

Pioneira mundial na governança digital, a Estônia permite o voto remoto pela internet (i-voting) em eleições nacionais desde 2005, utilizando documento de identidade com chip ou aplicativos móveis autenticados.

Para combater a coerção física no ambiente doméstico, o sistema estoniano traz uma dinâmica única: o cidadão pode reescrever seu voto digital quantas vezes desejar no período prévio. O voto presencial na urna, se realizado no dia oficial, anula automaticamente qualquer registro feito online.

Estados Unidos: um mosaico de leitores ópticos

Nos Estados Unidos, não há um sistema eleitoral único nacional. Cada condado e estado possui autonomia para escolher sua metodologia de captação e apuração.

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Embora alguns condados utilizem urnas eletrônicas diretas (DRE), a maioria das localidades adota cédulas físicas de papel preenchidas à mão pelos eleitores. Essas cédulas são posteriormente inseridas em escâneres de leitura óptica para garantir uma contagem rápida e auditável.

Bélgica: telas sensíveis ao toque e impressão de dados

Na Europa Ocidental, a Bélgica é referência no uso de apuração automatizada desde a década de 1990, cobrindo a região de Bruxelas e a comunidade de língua alemã.

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O processo belga é híbrido: o eleitor utiliza um cartão magnético para registrar a escolha em uma tela touch e recebe um comprovante impresso com código de barras. O papel é escaneado e depositado na urna física, garantindo a dupla verificação do pleito.

Butão e Filipinas: soluções adaptadas à geografia

O Butão utiliza máquinas eletrônicas baseadas no modelo indiano para superar barreiras geográficas em vilarejos de difícil acesso. Seguindo as atualizações normativas recentes, o país também incorporou auditorias rigorosas e rastros de verificação ao seu processo.

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Nas Filipinas, a automação ocorre por meio de contagem óptica (OMR). Os cidadãos marcam suas escolhas em cédulas de papel oficiais e as inserem na máquina de leitura rápida, aliando a familiaridade do papel à agilidade computacional.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.