Ao contrário da crença popular de que a votação eletrônica é uma exclusividade brasileira, ao menos 34 países utilizam a tecnologia em diferentes etapas de suas eleições ao redor do mundo. No entanto, longe de aposentar o papel por completo, o cenário global combina máquinas digitais com registros físicos impressos e auditoria rigorosa.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a tecnologia até é empregada, mas não há exatamente um sistema eleitoral único. Na Índia, que tem quase 1 bilhão de eleitores, o sistema prevê o transporte de urnas eletrônicas para alcançar vilarejos remotos. Butão e Filipinas também adotam modelos para vencer as dificuldades geográficas. Já se olharmos para a Bélgica, enxergamos uma grande referência mundial no uso de apuração automatizada. Enquanto isso, na Estônia encontramos o pioneiro voto remoto pela internet.
FOTOS: O que é importante saber sobre as Urnas Eletrônicas no Brasil
Índia: o gigante das urnas com rastro impresso
Com cerca de 960 milhões de eleitores, a Índia utiliza urnas eletrônicas (EVMs) portáteis alimentadas por bateria para alcançar vilarejos remotos nos Himalaias e áreas de deserto. As telas exibem símbolos visuais partidários para auxiliar cidadãos analfabetos.
Por determinação da Suprema Corte indiana, praticamente todas as urnas operam acopladas ao sistema VVPAT (Voter Verifiable Paper Audit Trail). O equipamento imprime um comprovante que fica visível por sete segundos atrás de um vidro antes de cair em uma caixa selada para auditoria.
Estônia: o voto digital no conforto de casa
Pioneira mundial na governança digital, a Estônia permite o voto remoto pela internet (i-voting) em eleições nacionais desde 2005, utilizando documento de identidade com chip ou aplicativos móveis autenticados.
Para combater a coerção física no ambiente doméstico, o sistema estoniano traz uma dinâmica única: o cidadão pode reescrever seu voto digital quantas vezes desejar no período prévio. O voto presencial na urna, se realizado no dia oficial, anula automaticamente qualquer registro feito online.
Estados Unidos: um mosaico de leitores ópticos
Nos Estados Unidos, não há um sistema eleitoral único nacional. Cada condado e estado possui autonomia para escolher sua metodologia de captação e apuração.
Embora alguns condados utilizem urnas eletrônicas diretas (DRE), a maioria das localidades adota cédulas físicas de papel preenchidas à mão pelos eleitores. Essas cédulas são posteriormente inseridas em escâneres de leitura óptica para garantir uma contagem rápida e auditável.
Bélgica: telas sensíveis ao toque e impressão de dados
Na Europa Ocidental, a Bélgica é referência no uso de apuração automatizada desde a década de 1990, cobrindo a região de Bruxelas e a comunidade de língua alemã.
O processo belga é híbrido: o eleitor utiliza um cartão magnético para registrar a escolha em uma tela touch e recebe um comprovante impresso com código de barras. O papel é escaneado e depositado na urna física, garantindo a dupla verificação do pleito.
Butão e Filipinas: soluções adaptadas à geografia
O Butão utiliza máquinas eletrônicas baseadas no modelo indiano para superar barreiras geográficas em vilarejos de difícil acesso. Seguindo as atualizações normativas recentes, o país também incorporou auditorias rigorosas e rastros de verificação ao seu processo.
Nas Filipinas, a automação ocorre por meio de contagem óptica (OMR). Os cidadãos marcam suas escolhas em cédulas de papel oficiais e as inserem na máquina de leitura rápida, aliando a familiaridade do papel à agilidade computacional.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.





