Por que a velocidade da apuração dos votos varia tanto entre os estados no Brasil

Entenda como os votos das urnas eletrônicas chegam ao sistema do TSE, os desafios de transporte e por que alguns estados apuram mais rápido

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A transmissão dos votos depende da extração dos cartões de memória e da infraestrutura de conexão de cada município após as 17h (Foto:Tiago Ghizoni Arquivo NSC Total)

O encerramento da votação às 17h no horário de Brasília inicia a transmissão dos votos em todo o país, mas o ritmo de divulgação varia de um estado para o outro. Essa diferença no ritmo acontece porque as urnas funcionam sem internet e dependem do transporte físico dos cartões de memória, da qualidade da conexão em cada cidade, do tamanho das filas no fim da tarde e da fila de espera no computador central do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que processa os resultados por ordem de chegada.

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FOTOS: O caminho do voto da urna eletrônica até o computador central do TSE

O caminho do voto da urna até o computador central

A urna eletrônica funciona fora da internet e logo após o encerramento da votação, o mesário imprime o boletim em papel e grava os dados em um cartão de memória próprio. Esse dispositivo precisa ser levado até um computador oficial da Justiça Eleitoral para enviar as informações por uma rede segura até o sistema central em Brasília.

A facilidade desse trajeto muda de acordo com a região. Cidades com boa cobertura de internet e cartórios eleitorais próximos conseguem despachar os arquivos minutos após as 17h. Em locais isolados, como comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas e áreas rurais, os mesários precisam transportar o cartão de barco ou em caminhonetes até encontrar um ponto com antena via satélite. As seções com eleitores na fila às 17h também atrasam esse processo, pois a urna só fecha depois que a última senha for atendida.

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O sistema central em Brasília soma os votos por ordem de chegada, o que explica as mudanças no placar ao longo da noite. Na eleição presidencial de 2022, o Distrito Federal e estados do Sul e do Sudeste, como Paraná e São Paulo, enviaram os dados quase que de imediato nas primeiras horas da noite.

A mudança da contagem em papel e a conferência no aplicativo

A velocidade atual é recente no calendário do país. Antes da estreia da urna eletrônica em 1996, a contagem manual de votos em papel levava dias e ocupava ginásios inteiros, formato que foi encerrado em definitivo no ano 2000 com a digitalização de todos os municípios.

Atualmente, o eleitor pode checar os votos da sua seção antes mesmo do resultado nacional. Assim que a votação termina, uma cópia impressa do boletim é fixada na porta da sala. Com o aplicativo oficial da Justiça Eleitoral no celular, o cidadão pode ler o código impresso no papel para conferir a contagem daquela urna em tempo real.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.