O deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil) foi demitido da Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (3). O parlamentar respondia processo disciplinar há seis anos e já teve a exoneração recomendada em 2022. A demissão foi realizada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Conhecido como “Delegado Da Cunha”, ele está afastado do cargo, sem receber salário, por estar na função de deputado federal. Ele é candidato à reeleição em 2026.
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Delegado da Cunha demitido: veja os motivos da exoneração
Investigação na Corregedoria
Da Cunha foi investigado pela Corregedoria da Polícia Civil, que o responsabilizou por abuso de autoridade e constrangimento ilegal durante uma operação da qual ele participou em 2020 em São Paulo.
Depois, o Conselho da Polícia Civil, formado por cerca de 20 delegados diretores do estado, decidiu que ele deveria ser punido com a demissão da instituição para o bem do serviço público.
Réu por abuso de autoridade
Após chegar atrasado a uma ação policial que estourou um cativeiro, libertou a vítima e prendeu o sequestrador, Da Cunha repetiu a operação para que ela fosse filmada. A encenação acabou divulgada em suas redes sociais e em emissoras de televisão, segundo o g1.
O caso ocorreu em julho de 2020 numa comunidade da Zona Leste da capital paulista. Além de responder processo administrativo por crimes funcionais na Corregedoria da Polícia Civil, Da Cunha foi acusado na Justiça comum de ter cometido abuso de autoridade e constrangimento ilegal por simular o flagrante do estouro de um cativeiro de sequestro.
O Ministério Público (MP) o acusou criminalmente e, em fevereiro deste ano, a Justiça tornou o delegado réu neste caso. Ele ainda não foi julgado.
Da Cunha já era réu em outro processo, de violência doméstica, no qual é acusado de agredir e ameaçar matar sua ex-companheira em 2023 em Santos. O julgamento não foi marcado.
Encenação em cativeiro
De acordo com a acusação feita pela Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil, Da Cunha fez com que um homem libertado de um sequestro e o criminoso que foi preso por cuidar do cativeiro voltassem à residência para atuarem como figurantes.
Desse modo, encenariam todo o resgate de novo, mas com a participação de outros policiais que não tinham participado da operação. A vítima tinha sido sequestrada para passar pelo chamado “tribunal do crime”, que é o julgamento feito por criminosos.
Segundo a investigação da Corregedoria, Da Cunha simulou toda a situação para que pudesse gravar o vídeo como se tivesse invadido um barraco e salvado a vítima, para fazer crer a seus seguidores que ele se encarregara da execução do trabalho, o que não correspondeu à verdade.
O entendimento da Corregedoria foi o de que ele usava equipes e equipamentos da polícia, como armas e viaturas, para se promover pessoalmente e ganhar dinheiro nas plataformas da internet em que publica os vídeos.
“Todos os delegados que trabalharam em delegacias antissequestro e, principalmente, no setor de homicídios, sempre fazem a reconstituição do local do crime. Eu sou professor de processo penal e gosto muito disso e, assim, não tinha como perder”, disse Da Cunha.
Policiais que investigaram a denúncia entenderam que a reprodução feita por ele não tinha amparo legal para ser realizada. Geralmente, a reconstituição é feita por peritos da Policia Técnico-Científica e ocorre na fase do inquérito policial, não durante o flagrante.
Falta disciplinar grave
O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Da Cunha terminou com o entendimento da Corregedoria da Polícia Civil de que ele cometeu uma falta disciplinar grave.
Em julho de 2021, o delegado foi afastado preventivamente das funções pela Polícia Civil após declarar publicamente que “há ratos na polícia”. Ele teve ainda distintivo e armas recolhidos pela instituição.
Em agosto de 2021, Da Cunha pediu licença não remunerada por dois anos e se candidatou a deputado federal pelo PP. Foi eleito no ano seguinte com mais de 180 mil votos para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Em julho de 2023, ele informou na sua rede social que teve a carteira funcional restituída e a pistola 9 mm devolvida.
Quem é o Delegado da Cunha?
Da Cunha ganhou notoriedade nas redes sociais, compartilhando vídeos de ações policiais desde 2020. Ele possui mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e 3,5 milhões de inscritos no Youtube.
Segundo ele, o objetivo do canal é “produzir conteúdo cultural para incentivar jovens a ingressar na honrosa carreira policial e se afastar do crime organizado”.
Para as Eleições 2026, o delegado concorre novamente para deputado federal, pelo União Brasil. Ele declarou R$ 980 mil em bens, sendo a maior parte dinheiro físico, em conta corrente e participação em empresas.







