Em uma eleição presidencial que promete novamente ser disputada e decidida por estreita margem de votos, os chamados eleitores independentes são vistos como parcela do eleitorado capaz de decidir o resultado das urnas em outubro.
O grupo retratado nas pesquisas do instituto Quaest é formado por eleitores que não se identificam nem como lulistas, nem bolsonaristas e nem mesmo como de direita ou esquerda. Essa parcela equivale a cerca de um terço do total do eleitorado brasileiro e é disputada justamente pelo potencial de permitir a candidatos de esquerda ou direita formar a maioria e vencer as eleições.
As pesquisas Quaest das últimas semanas mostraram um movimento no eleitorado deste grupo com a ascensão do candidato Augusto Cury (Avante). O primeiro levantamento contratado pela Globo, em 14 de agosto, mostrou Lula na liderança entre os eleitores independentes, com 23% das intenções de votos, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), que anotava 16%.
Na pesquisa seguinte, em 2 de setembro, o crescimento de Augusto Cury (Avante) teve entre os eleitores independentes o principal grupo responsável pelo salto do candidato na corrida presidencial. Cury passou de 4% para 24% nas intenções de voto entre os independentes, passando a liderar a disputa neste público. Lula manteve os 23% entre os independentes e Flávio Bolsonaro caiu para 11%.
O levantamento mais recente, divulgado nesta segunda-feira (2), mostrou um recuo de Cury entre os independentes, devolvendo a liderança numérica ao petista. Lula liderava com 24%, à frente de Augusto Cury (17%) e com Flávio Bolsonaro em terceiro lugar, com 9%.
O cientista Felipe Nunes, diretor da Quaest, vem afirmando que entre esses eleitores independentes, temas como corrupção e segurança pública fazem diferença na hora da escolha.
“Boa parte dos independentes estão sofrendo porque não conseguem encontrar uma alternativa para empolgá-los. Muitos dos independentes estão preferindo não votar, estão indo embora da eleição, a abstenção vai ser muito importante, e sobram 10% que estão ali variando de um lado para outro”, afirmou, em entrevista à rádio CBN, no mês passado.
Desafio é engajar independentes na eleição
O professor de Administração Pública e pesquisador de Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Daniel Pinheiro, pondera que muitas vezes os eleitores que se apresentam como independentes estão basicamente desconfiados dos principais candidatos ou apenas não conseguiram refletir ainda sobre o que pretendem fazer na eleição. Esse campo, segundo ele, foi estreitado nos últimos anos com a consolidação da polarização direita-esquerda.
Ele pontua que neste campo em geral os eleitores buscam uma imagem que represente uma motivação para se envolver na campanha, o que explica crescimentos-relâmpagos como os de Pablo Marçal, na eleição para a prefeitura de São Paulo em 2024, e de Augusto Cury, na atual corrida eleitoral.
“Para que os independentes sejam decisivos, as campanhas teriam que fazer a pessoa de fato ir lá votar, se engajar na eleição. Mas só temos visto o nível de abstenção subir. Quem seria a primeira pessoa que abandonaria a eleição no segundo turno? O independente. Teria que haver um trabalho muito forte de realmente apresentar projetos, propostas, e sair da pauta apenas de ataques, polêmicas, não esvaziar debates como estão esvaziando”, avalia.
Na avaliação do pesquisador, esses eleitores independentes podem ser mais decisivos nas eleições para deputados e senadores, em que nomes com propostas que agradem possam surpreender e serem eleitos com votos de eleitores que não se associam necessariamente nem à esquerda, nem à direita.
Pesquisa Quaest 1ª rodada | 14 de agosto
Eleitores INDEPENDENTES
- Lula (PT): 23%
- Flávio Bolsonaro (PL): 16%
- Escritor Augusto Cury (Avante): 4%
- Outros: 19%
- Indecisos: 20%
- Branco/nulo/não vai votar: 18%
Pesquisa Quaest 2ª rodada | 2 de setembro (cenário 2, sem Pablo Marçal)
Eleitores INDEPENDENTES
- Escritor Augusto Cury (Avante): 24%
- Lula (PT): 23%
- Flávio Bolsonaro (PL): 11%
- Outros: 8%
- Indecisos: 21%
- Branco/nulo/não vai votar: 13%
Pesquisa Quaest 3ª rodada | 7 de setembro (cenário 2, sem Pablo Marçal)
Eleitores INDEPENDENTES
- Lula (PT): 24%
- Escritor Augusto Cury (Avante): 17%
- Flávio Bolsonaro (PL): 9%
- Outros: 16%
- Indecisos: 19%
- Branco/nulo/não vai votar: 15%



