Desde que os debates eleitorais se tornaram populares na televisão, campanhas políticas têm aproveitado a participação de candidatos para propaganda. Mais de 30 anos depois, com o avanço das redes sociais, frases históricas ditas e até as expressões faciais e corporais feitas durante os embates se tornaram munições para cortes que viralizam nas redes sociais. A partir disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vem atualizando as regras para disciplinar o uso da internet e da inteligência artificial (IA) nas eleições.
Primeiro debate de presidenciáveis na TV teve frase histórica
Em 1989, ocorreu o primeiro debate de presidenciáveis na televisão brasileira, marcando a primeira eleição após o fim da Ditadura Civil-Militar no Brasil e a era da redemocratização. Ainda que as redes sociais não existissem e as cenas não viralizassem tão depressa quanto agora, o debate realizado pela Band em 17 de julho já rendeu frases históricas. Um exemplo, foi a sentença dita durante o embate entre Leonel Brizola (PDT) e Paulo Maluf (PDS): “filhote de ditadura”.
No entanto, foi a partir dos anos de 2010, com a popularização dos smartphones e o avanço do uso das redes sociais, que a “fábrica de memes” começou a ganhar tração. Isso porque, além de espectador, o eleitor também passou a ser distribuidor desse conteúdo, alcançando pessoas que, muitas vezes, nem tinham assistido ao debate na televisão.
Em 2014, por exemplo, o candidato à Presidência Eduardo Jorge (PV) se tornou fenômeno digital por conta de respostas curtas e inusitadas, como o “quero”, usado por ele e que dominou a internet. No mesmo ano, Levy Fidelix (PRTB) viralizou com a proposta do “Aerotrem”, trem-bala que iria ligar as cidades de Campinas, São Paulo e o Rio de Janeiro.
Relembre alguns memes virais de debates das últimas eleições
A partir dos virais, as campanhas políticas começaram a se atentar aos memes e ao compartilhamento nas redes sociais. Foi neste momento que as equipes começaram a ter um olhar voltado à produzir conteúdos que pudessem viralizar, como cortes para vídeos rápidos e frases marcantes.
Inclusive, as perguntas e respostas feitas durante os debates começaram a ser até mesmo roteirizadas pelas campanhas com o objetivo de obter frases de efeito, apelidos e acusações. Enquanto isso, as equipes ficam de prontidão para registrar todas as cenas virais em vídeo, adicionar legendas que chamem a atenção e, também, distribuir o conteúdo nas redes sociais.
Os debates, então, deixaram de ser apenas um momento de confronto de ideias e apresentação de propostas, mas passaram até mesmo a ter capacidade de entretenimento a partir dos roteiros planejados para viralizar.
Memes históricos que viralizaram nos debates eleitorais
Desde a popularização das redes sociais e a criação dos memes, o Brasil já registrou diversos momentos históricos dos debates que viralizaram e até viraram piadas entre os eleitores.
Nos últimos 10 anos, um dos momentos marcantes ocorreu em 2018. Na época, o candidato Cabo Daciolo (Patriota) viralizou com o bordão “Glória a Deus” e ao questionar Ciro Gomes (no PDT, na época) sobre a “URSAL”, que seria a União das Repúblicas Socialistas da América Latina.
Na eleição seguinte, foi a vez de Soraya Thronicke (União Brasil) protagonizar um dos momentos mais virais da disputa de 2022. A então candidata à presidência, durante o debate na TV Globo, chamou Padre Kelmon (PTB) de “padre de festa junina” por conta de sua postura ao longo do embate e questionamentos sobre a ligação com a Igreja Ortodoxa.
Outro momento, registrado na última eleição, de 2024, envolveu um episódio de violência, que ainda assim, viralizou nas redes sociais. O fato ocorreu durante debate dos candidatos a prefeito de São Paulo na TV Cultura e envolveu José Luiz Datena (PSDB) e Pablo Marçal (PRTB). Após uma série de provocações, Datena acabou dando uma “cadeirada” no concorrente. Na época, a transmissão chegou a ser interrompida e evidenciou um ponto crítico: a espetacularização dos embates eleitorais.
Quais as regras dos debates e o que diz a legislação eleitoral
Uma das dúvidas frequentes sobre as propagandas e debates eleitorais diz respeito aos memes. A Justiça Eleitoral não pode proibir a criação de humor, caricaturas ou sátiras no período eleitoral, pois as peças são consideradas liberdade de expressão e manifestações legítimas dos eleitores. Porém, não pode conter informações falsas, caluniosas ou montagens que alterem a realidade para enganar eleitores.
Sobre os debates, outra dúvida comum é a obrigatoriedade do convite a todos os candidatos. Segundo a lei eleitoral, as emissoras de rádio e TV são obrigadas a convidar candidatos de partidos que possuam representação mínima no Congresso Nacional. O convite a candidatos que não atingem esse requisito fica a critério de cada emissora ou programa.






