O fenômeno silencioso nas urnas que invalidou 230 mil votos e sacudiu as eleições no RJ e DF

Cerca de 230 mil votos nulos no RJ e DF foram registrados por eleitores que digitaram números das siglas nacionais, sem representação direta para candidatos locais

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TSE indica que digitações incorretas de códigos partidários provocaram a anulação de mais de 230 mil votos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)

A análise técnica dos arquivos de Registro Digital de Voto (RDV) e de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelaram um fenômeno silencioso e expressivo de anulação de votos no primeiro turno das Eleições 2026. O voto em siglas nacionais levou 204.309 eleitores no Rio de Janeiro e 26.603 no Distrito Federal a digitarem números sem representação direta para os candidatos locais, resultando na invalidação imediata dos votos. No Distrito Federal, por exemplo, os votos anulados poderiam ter decidido a eleição no primeiro turno.

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O limiar do 1° turno e o contingente do número 22 na capital federal

A apuração do Distrito Federal exemplifica o impacto direto das escolhas nulas sobre o resultado final. A candidata à reeleição Celina Leão (PP) teve 49,93% dos votos válidos (825.530 votos), ficando a décimos da vitória em primeiro turno.

A digitação do número 22 por 26.603 eleitores destacou-se como o segundo código nulo mais acionado no DF, atrás do 00, que teve 35.811 ocorrências. Neste caso, a inconsistência do preenchimento estendeu o pleito para o segundo turno contra Leandro Grass (PT), já que Celina teria superado os 50% se tivesse recebido esses mais de 26 votos que na sigla do PL.

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O TSE ressalta que os arquivos do RDV registram tão somente a digitação efetuada, impedindo a distinção entre equívocos operacionais do eleitor e deliberações de anulação consciente.

O voto nulo com o número 13 e a dinâmica eleitoral no RJ

No estado do Rio de Janeiro, a digitação do número 13 figurou como a segunda principal causa de votos nulos para o Executivo local, sendo superada unicamente pelo código 00, registrado 344.840 vezes.

O montante de 204,3 mil votos anulados por esse código corresponde a 74,5% do total obtido pelo candidato Anthony Garotinho (Republicanos) e a 86,8% da votação acumulada por William Siri (PSOL). O volume é superior à soma do desempenho individual dos últimos cinco postulantes ao Palácio Guanabara.

Porém, os 204 mil votos nulos no 13 para governador não foram o fator decisivo para a definição, o que ocorreu após reviravolta por decisão judicial.

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Douglas Ruas (PL) terminou a votação com 49,27%. Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou em definitivo a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), anulando seus 274 mil votos, essa exclusão da base de cálculo mudou os percentuais, elevando o montante de Ruas para 50,88% dos votos válidos, liquidando a eleição. Eduardo Paes (PSD), que concorreu com o número 55 em aliança formal ao PT, já reconheceu formalmente a derrota, confirmando que não haverá segundo turno para governador no Rio.

Casos semelhantes em Santa Catarina

No Sul do país, Santa Catarina foi palco de episódios semelhantes envolvendo cargos ao Executivo e Legislativo. Conforme destacou o colunista Ânderson Silva, do NSC Total, o voto repetido em Carlos Bolsonaro e Carol De Toni gerou 102.308 nulos para o Senado em SC. No caso, Carlos Bolsonaro concorreu com o número 222, enquanto Carol de Toni foi com o 221. Ainda assim, ambos se elegeram.

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Já para o governo catarinense, 74.689 eleitores votaram 13 nas urnas. Contudo, quem concorreu ao comando do Executivo em SC aliado a Lula (PT) foi Gelson Merisio, do PSB, com o número 40. Neste cenário, contudo, a eleição de Jorginho Mello (PL) em primeiro turno não seria afetada, já que ele teve 2.942.386 votos (68,98%) contra 668.021 votos de Merisio (15,66%), sendo o restante dividido entre os demais candidatos.

FOTOS: Os deputados estaduais mais votados em SC

*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.