Festa da vitória de Lula em SC tem angústia, hino nacional e alívio por democracia: “Alegria imensa”

A virada da empolgação veio às 20h25, quando Lula voltou a ficar à frente de Flávio

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Apoiador no alto da multidão acende sinalizador luminoso vermelho durante a festa da virada no Centro Leste de Florianópolis; fumaça e luzes coloridas marcaram a euforia no encerramento da apuração (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

A inédita virada no 2° turno de eleições presidenciais no Brasil merecia uma festa à altura. Foi o que motivou uma multidão de eleitores e apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a lotar as ruas e bares do Centro-Leste de Florianópolis, tradicional reduto de jovens e da esquerda, na noite deste domingo (25).

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Uma hora antes do fim da votação já havia um grupo reunido na esquina das ruas Nunes Moreira e Victor Meirelles, mas a ansiedade pela apuração precisou aguardar mais duas horas após a decisão judicial que estendeu a votação em seções onde os trabalhos não haviam sido encerrados. A ansiedade era aplacada por chopes, cigarros, espetinhos de carne e pelo DJ que intercalava jingles lulistas com clássicos de protesto da MPB.

O sentimento dos que “botaram o bloco na rua”, como na música de Sergio Sampaio, começou a dar lugar à angústia quando os primeiros números foram divulgados e mostravam Lula à frente, mas por margem estreita.

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As cores dos batuques do Centro-Leste tinham vários tons. O vermelho das bandeiras e bonés de Lula predominavam, mas havia também camisas da seleção e bandeiras do Brasil, símbolos explorados pela direita, mas que foram retomados na campanha do 2° turno, em uma das missões do “capitão” André Janones, criador do canal “Exército de Lula”. Bandeiras de arco-íris representando a população LGBT, camisas da Democracia Corintiana, do Palmeiras com frases contra a ditadura: todos acompanharam lado a lado os telões projetados nas paredes com o minuto a minuto da apuração.

Quando Flávio Bolsonaro virou, um silêncio apreensivo deu as caras, mas por poucos minutos. Logo gritos de “vai virar” começaram a surgir. Após Flávio atingir 50,5% das intenções de voto e começar a despencar, cada décimo de recuo era comemorado com gritos eufóricos.

A virada da empolgação veio às 20h25, quando Lula voltou a ficar à frente de Flávio. O som foi tomado por gritos de “Lula” e provocações à família Bolsonaro, como o cântico de que “o Flávio vai morar com o pai”.

Quanto mais a apuração se aproximava do fim, mais dúvidas surgiam sobre a vantagem. Seria suficiente? “Como está em Minas? Os votos do Rio já entraram?”. Pelos telões e pelas telinhas do celular, a apuração avançava e vinha combinada com notícias e projeções da provável vitória petista.

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Na sacada de um dos prédios da esquina, o DJ segurou o tema das vitórias de Ayrton Senna para embalar a multidão quando Lula foi confirmado eleito, por volta das 21h10. A fumaça vermelha de sinalizadores dava um clima de estádio de futebol ao encontro político no local famoso pelas festas. Uma mistura similar à do público que foi se somando às ruas do Centro após a divulgação do resultado. Uma maioria jovem, mas com espaço para casais, crianças, idosos e admiradores de Lula de todas as idades e regiões.

Os relatos dos apoiadores

Os sentimentos que levaram os eleitores às ruas para celebrar o 4° mandato de Lula foram também os que os guiaram até as urnas.

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“É uma alegria imensa, um alívio difícil de colocar em palavras. Um sentimento derivado de muita luta, de convencimento das pessoas. Não é como se nós eleitores do Lula estivéssemos 100% satisfeitos, mas é visível que a vitória do outro lado significaria um retrocesso muito grande em direitos de toda a população, não só de minorias, além de um retrocesso institucional inimaginável”, contou o estudante e pesquisador de Ciência Política, Matheus Menezes, na saída do ato.

Militante do PT desde os 15 anos, quando o país ainda vivia sob ditadura militar, o policial penal Wolney Chucre, hoje com 62, estava na Avenida Hercílio Luz com o boné e camisa do partido. Para ele, a virada inédita de Lula representa um triunfo dos democratas.

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“Eu sei o que é um regime autoritário. Essa foi uma vitória da democracia sobre o fascismo. Acho que o povo brasileiro, como diz a música, reconheceu que o Silva era diferente, e daí esse crescimento na reta final – afirmou.

Na saída do ato, uma participante aproveitou a empolgação para alfinetar:

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Coloca aí na matéria que de virada é mais gostoso.

Foi na trilha sonora que os eleitores expressaram o alívio com o resultado hino nacional, outro símbolo dos brasileiros recentemente associado à direita, foi tocado e cantado a plenos pulmões pelos eleitores em êxtase.

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Na quadra de baixo, a Avenida Hercilio Luz também foi tomada por apoiadores com bandeiras, camisas e adesivos para celebrar a vitória inflamados por dois trios elétricos.

Ao som de Cazuza, os grupos que passaram a campanha do 2° turno nadando contra a corrente para exercitar resumiram o sentimento que perseguiu toda a apuração.

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“Estamos, meu bem, por um triz pro dia nascer feliz”.

Veja como foi a celebração no Centro de Florianópolis

Raio-x da votação em Florianópolis

  • Flávio Bolsonaro (PL): 51,66% (174.153 votos)
  • Lula (PT): 48,34% (162.957 votos)
  • Diferença: 11.196 votos (3,32 p.p.)