O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, não conseguiu registrar a candidatura nesta quinta-feira (13) após aparecer filiado ao partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descartou ataque hacker e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar o caso. Flávio classificou o episódio como “fraude”, enquanto o Missão afirmou que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta.
A situação impede, neste momento, que o PL registre a candidatura de Flávio, oficializada durante convenção nacional da legenda em 25 de julho, em São Paulo. O prazo para apresentação dos pedidos à Justiça Eleitoral termina às 19h do próximo sábado (15).
Em nota divulgada nesta quinta, o TSE informou que a filiação ao Missão “não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária”. Segundo o tribunal, o registro ocorreu por “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”.

O que acontece agora?
Com a alteração da filiação partidária no sistema eleitoral, o pedido de registro da candidatura não pôde ser apresentado nesta quinta-feira. A situação precisa ser regularizada antes do fim do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, às 19h deste sábado (15).
O TSE informou que o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para adoção de providências. Ele também determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar o caso.
Em outra frente, o PL protocolou um pedido de desfiliação de Flávio do Missão, que está sob análise da Justiça Eleitoral. A regularização da filiação é necessária para que o partido consiga apresentar o pedido de registro da candidatura.
Flávio Bolsonaro fala em fraude
A advogada da campanha de Flávio Bolsonaro, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou ao g1 que a alteração foi identificada quando a equipe reunia os documentos necessários para protocolar o pedido de registro. Segundo ela, uma certidão emitida às 23h17min de quarta-feira (12) ainda apontava Flávio como filiado ao PL.
Após o caso vir à tona, Flávio Bolsonaro se manifestou nas redes sociais e afirmou que sua filiação partidária foi fraudada.
“Vocês viram que fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir”, disse o senador, no vídeo.
Missão diz que alertou gabinete de Flávio em 2 de agosto
O Partido Missão afirma que também foi alvo da fraude e que tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas a ação foi rejeitada pelo TSE. A legenda também disse que alertou o gabinete de Flávio em 2 de agosto e que os e-mails enviados foram abertos, mas não respondidos.
O partido afirmou ainda que vai disponibilizar às autoridades e à imprensa logs, e-mails e IPs relacionados ao episódio. O Missão tem como candidato à Presidência da República Renan Santos.
Veja fotos de Flávio Bolsonaro
Veja a nota do TSE na íntegra
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária.
O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise.”
Veja a nota do Missão na íntegra
“O Partido Missão vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE.
O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos.
A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades.
Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção.
O Partido Missão reafirma que não compactua com filiações de natureza fraudulenta e repudia veementemente episódios dessa natureza. Colocamo-nos à disposição das autoridades competentes para a completa apuração dos fatos.“





